31 de Janeiro, 2012 - 09:06 ( Brasília )

Geopolítica

Obama admite pela 1ª vez ataques com drones no Paquistão


presidente Barack Obama admitiu, nesta segunda-feira, que os Estados Unidos realizam ataques com aviões não tripulados contra a Al-Qaeda no Paquistão, operações que vinham, até agora, sendo negadas pelo governo americano.

Ouvido sobre a utilização de aviões não tripulados ("drones") num diálogo com internautas nos sites Google+ e Youtube, Obama justificou as ações. "Evidentemente, muitos desses ataques ocorreram nas FATA (em inglês "Áreas Tribais Federais Administradas", no noroeste do Paquistão)", disse Obama. "Na maior parte, foram ataques muito precisos contra a Al-Qaeda e seus seguidores, e estamos sendo muito cuidadosos em relação a isso", afirmou.

Funcionários do governo americano dizem que o cinturão tribal do Paquistão é local de refúgio dos talibãs que há 10 anos lutam no Afeganistão, de grupos da Al-Qaeda que planejam ataques no Ocidente, e de talibãs paquistaneses que habitualmente atacam e realizam atentados em seu país.

Um total de 64 ataques com mísseis americanos foram registrados na região tribal semiautônoma do Paquistão no ano passado, contra 101 em 2010, segundo contagem da AFP.

"Este é um esforço especializado centralizado nas pessoas que estão na lista de terroristas ativos, que tentam entrar nos Estados Unidos e atacar os americanos, golpeando as instalações e as bases americanas, e assim sucessivamente", acrescentou.

Muitos ataques foram realizados "contra efetivos da Al-Qaeda em locais onde a capacidade militar paquistanesa não pode alcancá-los", disse Obama, confirmando que a zona tribal fora da lei do Paquistão era um alvo. "Conseguir derrotá-los de outra maneira representaria, para nós, provavelmente, uma ação militar muito mais intrusiva", destacou.

O governo dos Estados Unidos anunciou, em dezembro, que sua relação com o Paquistão era "muito importante" para permitir que fracassasse. No entanto, as relações entre os dois governos vieram se deteriorando continuamente ao longo de 2011, desde a ação americana para matar o líder da Al-Qaeda Osama bin Laden, em maio.