06 de Abril, 2011 - 08:50 ( Brasília )

Geopolítica

Costa do Marfim - Mesmo acuado, Gbagbo se recusa a reconhecer a derrota

Segundo a França, resta definir apenas as condições para a saída do presidente da Costa do Marfim, que ainda resiste em reconhecer o adversário Alassane Ouattara como vencedor da eleição presidencial.

Do ponto de vista político, o presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, está acabado. Segundo o Ministério do Exterior da França, Gbagbo está entrincheirado num bunker na sua residência, em Abidjan. As tropas do presidente eleito Alassane Ouattara, apoiadas por helicópteros da França e da ONU, aparentemente impuseram a Gbagbo a derrota final.

O ministro francês do Exterior, Alain Juppé, afirmou nesta terça-feira (05/04) em Paris que a rendição de Gbagbo está próxima. "Estamos negociando com Gbagbo e sua família para definir quando e como eles deixarão o país." Segundo Juppé, as condições para saída do presidente são "a única coisa que resta para negociar".

França e Nações Unidas exigem que Gbagbo assine um documento no qual reconhece Ouattara como vencedor da eleição de novembro de 2010. Em troca, asseguram a integridade física a Gbagbo e família, disse Juppé.

"Pôquer entre potências estrangeiras"

Mas Gbagbo ainda resiste. Numa entrevista telefônica à emissora de TV francesa LCI, afirmou que jamais reconhecerá Ouattara como o vencedor da eleição e o acusou de se aliar a potências estrangeiras, o que tiraria toda a legitimidade do adversário. "É absolutamente espantoso que o destino de um país esteja sendo decidido num jogo de pôquer entre potências estrangeiras."

Mas, ao que tudo indica, quem está jogando é ele, em busca das melhores condições para entregar o poder. "Eu não sou um camicase, eu amo a vida. Minha voz não é a voz de um mártir, eu não busco a morte, mas, se ela vier, ela virá", declarou à emissora francesa nesta terça-feira.

Com o fim dos combates, a população de Abidjan experimenta um pouco de tranquilidade na manhã desta quarta-feira. Poucos tiros são ouvidos na cidade. Os generais de Gbagbo negociaram um cessar-fogo com as Nações Unidas. Os soldados, incluindo a tropa de elite de Gbagbo, devem se entregar aos capacetes azuis da ONU.

Mas o sofrimento da população ainda está longe do fim. A segurança interna, depois do conflito, é problemática. Um milhão de pessoas está refugiada e as Nações Unidas falam de uma situação humanitária catastrófica em todo a Costa do Marfim.

Autores: Alexander Göbel / Alexandre Schossler
Revisão: Bettina Riffel