04 de Janeiro, 2012 - 10:44 ( Brasília )

Geopolítica

Situação no Golfo Pérsico vem agravar-se cada vez mais

Apesar de advertências lançadas pelo Irã, os EUA declaram-se dispostos a reforçar a sua presença militar nesta zona. Segundo peritos, as partes trocaram de acusações, ficando assim perante um iminente perigo de um conflito militar.

Enquanto isso, foram concluídos hoje os exercícios militares iranianos Velaiate-90 na região do estreito de Ormuz, responsável pelo transporte de 40% das exportações de petróleo que se destina para a Europa e os EUA. Perante o cenário atual, o Irã ameaçou fechar acesso ao estreito, o que acabou por causar a rápida reação dos EUA - para a zona das manobras foi enviado um grupo de belonaves com o porta-aviões de ataque John C. Stennis. Entretanto, o Comandante em Chefe das Forças Armadas do Irã, Ataollah Salehi, retorquiu com a ameaça de eventuais contramedidas, se a presença dos EUA for aumentada, tendo afiançado que o seu país estaria pronto a atender quaisquer desafios, dispondo dos arsenais necessários.

Os EUA responderam não ter intenções de pôr termo à operação, visando manter garantias de segurança e de estabilidade na região. Seja como for, até já, as acções empreendidas pelas partes em conflito verbal, parecem não passam de manipulações de ousadia, pelo que nem uma, nem outra estariam interessadas em iniciar uma guerra, afirma o perito russo em questões do Médio Oriente Boris Dolgov.

O Irã quer entrar em conflito com os EUA pelo simples facto de não possuir um poderio suficiente para confrontar o eventual adversário, que conta com aliados fortes, como Israel. No que se refere aos EUA, na sua Administração existem lobbies pró-israelitas, bem como vários outros a representar os interesses das pessoas que se opõem ao inicio do conflito armado. E, neste contexto, tudo dependerá de soluções políticas concretas. Para já, tais decisões não foram tomadas.

As autoridades norte-americanas estão convencidas de que o Irã se atreveu à demonstração da força de armas e a ameaças sob a influencia de rígidas sanções internacionais. A assessora de imprensa do Departamento de Estado, Vitória Nuland, em suas declarações mais recentes acusou o Irã de estar a provocar conflitos na arena internacional para distrair os cidadãos da solução de problemas internos. A hipótese avançada por ela, pode ser posta em causa – quer queira quer não - o Irã não consegue enfrentar bem as sanções apesar de numerosas tentativas suas de afastar quaisquer cenários da sua intensificação no futuro, opina Boris Dolgov.

Se for decretado embargo para a importação do petróleo iraniano, então as sanções terão impacto extremamente negativo na economia desse país. Todavia, contando com as verbas provenientes das importações, o Irã será capaz de enfrentar sanções de outro tipo.

A situação, contudo, encerra perigo, pelo que, em caso de uma campanha militar de pequena escala no Golfo, tal conflito poderá, em poucos dias, redundar em um litígio global, envolvendo quase todos os países da zona. E esta, por sinal, não será uma guerra de todos contra o Irã que também tem aliados, considera a perito do Instituto da Orientologia, Lídia Kulaguina.

As potênciais regionais, com efeito, se manifestam contra acções militares, já que quaisquer que sejam estas – de pequena ou de larga escala – virão provocar de forma inevitável ataques de retaliação que afetem os Estados vizinhos. Assim, a guerra alastrar-se-á à região inteira. Quanto aos países do Golfo Pérsico, estes tem tido uma atitude mais negativa em relação ao Irã. E há várias razões disso – primeiro, trata-se de um problema shiita. Segundo, isto se deve à política do Irã na esfera nuclear, o que engendra uma reação negativa. Mas uma série de outros Estados, como a Turquia e ou Líbano, no caso da guerra não se farão adversários do Irã. Antes pelo contrário, irão prestar-lhe o apoio ou até ajudar.

A Síria continua a ser o seu principal aliado. De notar ainda que ao Ocidente não agradam os regimes políticos de ambos os países. Por isso, pode-se conjeturar que o objetivo latente da política dos EUA no Médio Oriente seja o de derrubar os governos liderados por Mahmud Akhmadinejad e Bashar Assad. Mas, verdade seja dita, nem num, nem noutro país foi possível, até hoje, pôr em ação o cenário orquestrado e testado na Líbia. Uma das causas disso consiste em que a ONU e os outros países influentes como a Rússia e a China mantêm-se contrários ao desenrolar de acções militares contra o Irã e a Síria. A China condenou o projeto-lei, assinado por Obama, que prevê a introdução de novas sanções econômicas anti-iranianas. Sob este pano de fundo, a Rússia insiste em que os problemas atuais da região sejam resolvidos por via diplomática.