03 de Janeiro, 2012 - 12:02 ( Brasília )

Geopolítica

França defende sanções 'mais duras' contra Irã

O ministro do Exterior da França, Alain Juppé, disse estar convencido de que o Irã está desenvolvendo armas nucleares e defendeu sanções "mais duras" contra o país.

"O Irã está buscando o desenvolvimento de armas nucleares, não tenho dúvidas sobre isso", disse o ministro à rede de TV francesa I-Tele.

"O último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica é bem explícito em relação a isso."

Juppé pediu que a União Europeia siga medidas tomadas pelos Estados Unidos, congelando bens do Banco Central iraniano e impondo um embargo às exportações de petróleo.

"Queremos que os europeus deem um passo similar até o dia 30 de janeiro para mostrar nossa determinação."

O Irã minimizou a ameaça de novas sanções e negou que uma baixa recorde na cotação de sua moeda em relação ao dólar esteja relacionada às medidas punitivas adotadas pelos Estados Unidos.

Teerã também rejeita as acusações de desenvolvimento de armas nucleares, alegando que seu programa tem fins pacíficos e que o país precisa de tecnologia nuclear para suprir sua demanda interna por eletricidade.

Manobras militares

O Conselho de Segurança da ONU já aprovou quatro rodadas de sanções contra o Irã devido à recusa do país em suspender o enriquecimento de urânio, que pode ser transformado em armas nucleares.

Os EUA já puniu dezenas de agências do governo iraniano, funcionários e empresas do país devido à questão.

O presidente Barack Obama sancionou a lei em relação ao Banco Central iraniano no sábado e ela entra em vigor em seis meses.

Nos últimos dez dias, o Irã conduziu uma série de exercícios militares no Golfo e, na segunda-feira, anunciou ter testado com sucesso um míssil de cruzeiro terra-mar de longo alcance, além de outros armamentos, no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

As autoridades militares disseram ainda que foram realizadas "simulações" de um fechamento do estreito, mas amenizaram ameaças feitas anteriormente dizendo que não há intenção de fechá-lo de fato.

Analistas dizem que o Irã está usando os exercícios militares para tentar mostrar que comanda o Golfo e que tem capacidade militar de se defender de qualquer ameaça à sua dominação.

Irã diz que não fechará rota de petróleo do estreito de Ormuz

O Irã voltou atrás na ameaça de interromper o tráfego no estreito de Ormuz, que havia sido feita na última semana.

O estreito é uma importante rota marítima do petróleo que vai do Golfo Pérsico para os países ocidentais.

Um alto oficial da Marinha iraniana, almirante Mahmoud Mousavi, afirmou nesta segunda-feira que o Irã não pretende fechar o estreito.

Seu comentário aconteceu no último dia de uma série de exercícios militares navais do país no local, durante os quais o Irã testou diversos mísseis de médio e longo alcance.

A ameaça à rota marítima foi feita após o anúncio de novas sanções dos Estados Unidos ao sistema financeiro do Irã na última semana.

O governo disse que impediria a passagem de navios petroleiros pelo estreito caso os países ocidentais impusesse sanções à exportação do petróleo iraniano.

Demonstração de força

No início desta segunda-feira, o Irã anunciou ter testado com sucesso um míssil de cruzeiro terra-mar de longo alcance no estreito de Ormuz, após dez dias de manobras militares.

O míssil Ghader foi construído por especialistas iranianos e teria um alcance de 200 km, suficiente para atingir alvos no Golfo.

A manobra é vista como uma demonstração de força do país, já que indica que ele poderia atingir bases americanas e israelenses.

No domingo, o Irã também testou mísseis de médio alcance, segundo a mídia estatal.

Os exercícios militares acontecem em um momento de grandes tensões entre o Ocidente e o Irã por causa de suas ambições nucleares.

Teerã reagiu com raiva a relatos de que as nações ocidentais estavam planejando impor novas sanções aos setores financeiro e petrolífero do Irã.
 

Na última terça-feira, o vice-presidente iraniano Mohammad Reza Rahimi ameaçou fechar o estreito de Ormuz, na costa sul do país, que é o canal por onde passa cerca de 20% do petróleo do mundo.

Mas nesta segunda-feira, Teerã disse que "simulações" de um fechamento do estreito foram feitas pelos militares, mas que não havia intenção de fechá-lo.

"Não foi dada nenhuma ordem para o fechamento do estreito de Ormuz. Mas estamos preparados para diversas situações", disse o chefe da Marinha Habibollah Sayyiari, citado pela TV estatal.

O correspondente da BBC em Teerã, James Reynolds, diz que Irã está usando os exercícios para tentar mostrar que comanda o Golfo e que tem capacidade militar de defender-se de qualquer ameaça a sua dominação.

Reynolds diz ainda que o país não pode bloquear suas próprias exportações de petróleo. "O Irã tira metade da sua renda da exportação de petróleo cru e o alto preço do combustível mantém o governo iraniano com dinheiro e pode."

Os Estados Unidos e seus aliados acreditam que o Irã está tentando desenvolver armas nucleares - uma acusação que o país nega.

Teerã insiste que seu programa nuclear é atende somente a propósitos pacíficos e que precisa de tecnologia nuclear para suprir sua demanda interna de eletricidade.