22 de Dezembro, 2011 - 11:05 ( Brasília )

Geopolítica

México quer comprar sistemas antiaéreos russos


Víktor Litóvkin

A empresa estatal de petróleo e gás do México, Pemex, e várias outras organizações mexicanas se declararam interessadas em comprar da Rússia sistemas de defesa antiaérea para suas plataformas de petróleo no Golfo do México. O anúncio foi feito por uma fonte da delegação russa que participou da 5ª reunião da Comissão Rússia-México de cooperação econômica que está acontecendo no México.

Os mexicanos desejam criar um sistema de prevenção e combate a ataques aéreos de baixa altitude, composto por radares capazes de detectar antecipadamente os alvos e por mísseis antiaéreos. Segundo a fonte, o México explica seu desejo de adquirir os sistemas antiaéreos pelo receio de eventuais ataques terroristas contra suas plataformas de petróleo no Golfo do México, importante recurso estratégico e principal fonte de renda do país.

“A Rússia fez essa proposta a vários países, inclusive ao México”, disse a fonte. “No entanto, poderemos falar de acordos concretos de compra só quando o lado mexicano solucionar definitivamente sua questão financeira. Por enquanto, essa questão está em aberto.”

Os sistemas de defesa antiaérea que poderiam ser usados para a proteção das plataformas de petróleo variam, de acordo com peritos militares, em função do tamanho da área a ser abrangida e dependem do montante dos recursos financeiros disponibilizados para esses fins pela Pemex e outras organizações interessadas. Do montante disponibilizado para a compra de um escudo antiaéreo depende a forma como ele será organizado.

Os principais sistemas russos são muito parecidos, podendo atingir alvos aéreos a uma distância de 6 km e a uma altitude que varia entre 10 e 3.500 metros, a uma velocidade de 320 m/segundo. Os dois sistemas também podem levar adicionalmente radares, equipamentos de comunicação, visão noturna e identificação de alvos, além de outros equipamentos.

Os mísseis do sistema Igla são capazes de atingir aeronaves táticas, helicópteros e alvos de pequeno porte como aeronaves não tripuladas e mísseis de cruzeiro, inclusive em condições de má visibilidade, dificultada com obstáculos naturais ou artificiais. A perfeita operação do Igla nessas condições é garantida pelo equipamento de pontaria automática.

Assim, nenhuma aeronave terrorista conseguirá se aproximar das plataformas de petróleo nem das cisternas com hidrocarbonetos. Os sistemas Dgiguit e Streléts são facilmente desmontados e transportados em um automóvel ou nas mãos, pesando cada um 128 kg, e podem ser instalados tanto em uma rampa especial em uma plataforma de petróleo quanto em um carro ou barco pequeno.  Custam muito menos do que sistemas fixos ou móveis como Kinjal, Kortik, Tor-M1 ou Páncir-S. Seu preço não é especificado pelos produtores.

“O preço é negociado nos contatos com os compradores e depende de muitos fatores, entre os quais o valor da compra, a necessidade de treinamento do pessoal, entrega de peças de reposição, programas de atualização, etc.”, dizem os produtores. Segundo informações disponíveis, um Dgiguit pode custar entre US$ 200 e 250 mil e um Streléts, duas ou três vezes mais.

Os sistemas navais Kinjal e Kórtik com mísseis custam milhões de dólares. Falta saber o que os mexicanos vão preferir. Seu vizinho, os EUA, também pode oferecer sistemas antiaéreos semelhantes e pressionar o país a comprar armas americanas para impedir que um concorrente forte entre no mercado.