16 de Novembro, 2011 - 10:47 ( Brasília )

Geopolítica

Guerra civil? Desertores dizem ter lançado ataque contra bases do Exército sírio

Segundo Exército Livre da Síria, principal operação foi contra um complexo usado pelo setor de inteligência da Força Aérea

Desertores do Exército da Síria disseram ter lançado uma série de ataques contra instalações militares próximas à capital do país, Damasco, nesta quarta-feira. Em comunicado, o Exército Livre da Síria afirmou que o principal ataque foi contra um complexo usado pelo setor de inteligência da Força Áerea em Harasta, subúrbio de Damasco. Também foram atacadas bases em Douma, Qaboun, Arabeen e Saqba, também na região da capital.

De acordo com testemunhas, o grupo lançou foguetes e disparou com metralhadoras contra o complexo da Força Aérea por volta das 2h30 (horário local). Em seguida, houve troca de tiros e vários helicópteros começaram a sobrevoar a área.

"Escutei várias explosões e o som da troca de tiros de metralhadora", declarou um morador de Harasta, que não quis ser identificado.

O ataque não pôde ser confirmado por fontes independentes, já que o governo sírio impõe restrições ao trabalho da imprensa estrangeira. Em seu comunicado, o Exército Livre da Síria não informou sobre vítimas.

O setor de inteligência da Força Aérea é considerado um dos mais brutais na repressão dos protestos contra o presidente Bashar Al-Assad, que começaram há oito meses. Segundo a ONU, 3,5 mil foram mortos nas manifestações.

Nesta quarta-feira, ativistas disseram que tropas leais a Assad mataram quatro opositores, incluindo três desertores do Exército, na cidade de Hama.

Diante da violência no país, no sábado a Liga Árabe decidiu suspender a Síria das atividades da organização, alertando que o regime de Assad pode enfrentar sanções se não puser fim à repressão sangrenta contra os protestos antigoverno.

A medida deve entrar em vigor nesta quarta-feira, após uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da Liga Árabe em Rabat. O regime sírio não participará do encontro.

Segundo o chanceler do Catar, Hamad bin Jassim al-Thani, a decisão se deve ao descumprimento pela Síria de acordo feito com a Liga Árabe, que previa que o regime acabasse com a violência envolvendo forças de segurança e manifestantes civis que protestam desde março. "Não houve uma resposta total e imediata da Síria ao plano árabe."

A Liga pediu "sanções econômicas e políticas contra o poder sírio" por sua negativa de aplicar o plano de saída da crise apresentado pela organização dos Estados árabes, disse.

Com Reuters, AP e EFE