27 de Outubro, 2011 - 10:22 ( Brasília )

Geopolítica

Chávez diz que médico que lhe deu 2 anos de vida nunca o examinou

Presidente da Venezuela, que garantiu estar curado do câncer, diz que médico 'é grande mentiroso' e que nunca tratou sua família

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou nesta quarta-feira o médico que afirmou já tê-lo tratado e que garantiu que ele só tinha dois anos de vida devido ao seu câncer. Chávez afirmou que o profissional nunca o viu, e que ele não o examinou. "É um grande mentiroso", afirmou o venezuelano.

O médico Salvador Navarrete declarou neste mês ao semanário mexicano Milenio que Chávez sofre de sarcoma pélvico, um tipo de câncer cuja expectativa de vida, segundo ele, é de dois anos.

Navarrete afirmou ter feito parte da equipe médica do presidente em 2002, e que é "cirurgião da família" de Chávez, que nunca divulgou o tipo de câncer com o qual foi diagnosticado em junho.

"Ele se apresenta como médico da família mais não é. Diz que operou minha mãe, mas não a operou. Viola o código de ética sem nunca ter me visto, sem ter me examinado", afirmou. Chávez questionou também se o médico foi subornado para lhe dar um tempo de vida de dois anos.

"A cada dia estou mais vivo", acrescentou Chávez que em junho extraiu um tumor canceroso. No sábado, a equipe médica do presidente fez sua primeira aparição pública desde que ele adoeceu para desmentir Navarrete e garantir que o governante "não poderia estar melhor".

Na semana passada, o presidente voltou de Cuba, onde realizou exames médicos, e declarou que os resultados mostram que o tratamento contra o câncer diagnosticado há quatro meses foi bem sucedido e que ele agora está "livre da doença".

"Nesses quatro meses transcorridos, podemos dizer que concluímos uma etapa vital no tratamento da doença que me surpreendeu. Foi uma estratégia combinada entre cirurgia e quimioterapia concluída de maneira bem sucedida", afirmou na ocasião.

Na última sexta-feira, Navarrete anunciou que os "acontecimentos posteriores" às suas declarações o "obrigam a deixar o país de forma abrupta". Sem dar detalhes, ele se limitou a fazer um "exercício clínico" e reiterou sua convicção de que a doença de Chávez é grave, alegação negada veementemente pelo presidente e seus partidários.

Com AFP e EFE