26 de Outubro, 2011 - 21:49 ( Brasília )

Geopolítica

VALE - Minério de Ferro cai valor e Afeta Balanço


Usinas siderúrgicas chinesas já começaram a cortar sua produção, diante das condições mais apertadas de crédito e do esfriamento do mercado imobiliário no país, que estão se fazendo sentir no maior mercado de aço do mundo, pressionando o custo do minério de ferro para o menor patamar em 15 meses.

O preço do minério de ferro no mercado à vista chinês despencou nesta terça-feira, para seu nível mais baixo desde julho do ano passado, tendo perdido substanciais 7,2% - a maior queda intradiária em mais de 26 meses -, para US$ 128,50 a tonelada, segundo a agência de preços Platts. O preço do minério de ferro caiu mais de 30% nas últimos seis semanas.

A rápida queda abriu uma enorme discrepância entre os preços à vista e os contratos trimestrais, pressionando as siderúrgicas chinesas a exigir uma renegociação de contratos. Traders disseram que algumas siderúrgicas estão ameaçando descumprir seus contratos, caso as mineradoras se recusem a aceitar preços mais baixos para o período de outubro-dezembro.

Os cortes de produção em siderúrgicas chinesas de pequeno e médio porte constituem novas evidências de que o aperto monetário imposto por Pequim está repercutindo em uma desaceleração da demanda por matérias-primas. Embora as perspectivas para a demanda por aço na China não tenham mudado nas últimas semanas, traders e executivos no setor dizem que o financiamento secou para algumas siderúrgicas, levando-as a reduzir a produção e reduzir as compras de minério.

"Cerca de 20 a 30% das usinas pequenas e médias nesta área desligaram seus fornos", disse um executivo do setor do aço, no sul da China. "Nossa usina ainda não reduziu a produção, mas estamos sentindo a pressão da redução de liquidez. Quando realizamos vendas, o dinheiro volta cada vez mais devagar. Liquidez é uma grande preocupação".

Um trader na cidade siderúrgica de Rizhao acrescentou que algumas usinas estão com fornos novos ociosos. "Eles não querem produzir, porque acreditam que vão perder dinheiro".


O balanço da Vale no terceiro trimestre deve ser um dos mais fortes da empresa no ano, na expectativa de analistas ouvidos pelo Valor.

Os números que serão divulgados hoje, depois do fechamento dos mercados, são os primeiros da gestão de Murilo Ferreira, que sucedeu Roger Agnelli na presidência executiva da companhia.

As projeções indicam um resultado operacional recorde de R$ 18,4 bilhões na média das quatro projeções levantadas pelo Valor. O dado projetado supera os R$ 15,9 bilhões atingidos no mesmo período de 2010, que também foi recorde.

Entretanto, os analistas se dividiram em relação ao lucro líquido da companhia. Na avaliação de alguns deles, o ganho do trimestre pode ficar abaixo dos R$ 11,2 bilhões do segundo trimestre por conta da desvalorização cambial do período que deve ter efeito negativo na dívida em dólar da Vale.

Na média das projeções, o lucro estimado aponta para R$ 8,6 bilhões, que supera em mais de 200% os R$ 2,8 bilhões do terceiro trimestre de 2010, apesar de cair em relação ao segundo trimestre.

Max Bueno, da Corretora Spinelli, trabalha com um lucro líquido de R$ 8,4 bilhões por conta do dólar. A valorização cambial foi de 18,8% no terceiro trimestre - R$ 1,85 comparado a R$ 1,56 no segundo trimestre.

Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora estima um lucro de R$ 10,1 bilhão, por avaliar que a Vale tem equilíbrio entre ativos e passivos dolarizados.

A receita líquida é estimada na média em R$ 29,8 bilhões, ante R$ 13 bilhões no mesmo período de 2010, revigorada pelo volume de vendas e o preço elevado do minério de ferro entre julho e setembro deste ano. O volume estimado de vendas de minério oscilou nas projeções numa faixa entre 66 a 77 milhões de toneladas, enquanto o preço médio "realizado" do produto vendido foi da ordem de US$ 145 a US$ 146, segundo os analistas consultados. No mesmo período do ano passado, o preço médio do minério negociado pela Vale foi de US$ 118,87, ou menos 24%, segundo informações da SLW.

 


Câmbio piora cenário para siderúrgicas

 

Valor Econômico/Vera Saavedra Durão | Do Rio


Os prognósticos para o futuro da Vale dependem da manutenção do crescimento da China, na avaliação dos analistas. Essa é a grande incógnita do mercado.

Os especialistas apostam mais nos bons resultados das mineradoras do que no das siderúrgicas no terceiro trimestre, considerados extremamente fracos na comparação com os valores históricos das companhias, hoje pressionados por elevados custos das matérias-primas, queda de vendas, preços em declínio no exterior e volume grande de importações.

Os analistas consideram que 2011 foi um ano muito adverso para a indústria do aço, na medida que o quarto trimestre não deverá ser muito diferente do terceiro. As perspectivas são um pouco melhores para 2012, já que os preços das matérias-primas - minério e carvão - vêm caindo.

As projeções para a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que deve divulgar balanço amanhã, variam de um lucro de R$ 590 milhões previstos pelo Itaú BBA a um prejuízo de R$ 254 milhões estimado pelo Credit Suisse por conta das elevadas despesas financeiras da empresa.

Para os dois bancos, a divisão de mineração da siderúrgica, que deve alcançar nível recorde neste trimestre de 7,7 milhões de toneladas embarcadas, deve continuar a ser seu principal gerador de resultados.

As vendas de aço foram estimadas no período em 1,2 milhão de toneladas pelo Itaú BBA, ante 1,191 milhão no mesmo período de 2010, sendo 86% colocadas no mercado interno e 14% exportados. O Itaú BBA estima receita de R$ 4,2 bilhões e o CS, de R$ 4,1 bilhões, respectivamente e um Ebitda de R$ 1,68 bilhão e de R$ 1,7 bilhão. A margem Ebitda é estimada em 40,9% pelo CS e em 39,3% pelo Itaú BBA.

O lucro da Usiminas pode ir de R$ 90 milhões, pela Corretora Spinelli, a R$ 40 milhões, pelo Itaú BBA. Já a SLW Corretora prevê um prejuízo para a siderúrgica de R$ 379 milhões por conta da desvalorização do real frente ao dólar no período.

A empresa teve uma queda em seu volume de vendas totais de 33,6 milhões de toneladas para 2,9 milhões de toneladas neste trimestre e uma variação cambial negativa sobre a atualização de sua dívida em moeda estrangeira de R$ 508 milhões, segundo Pedro Galdi.

Para Max Bueno, da Corretora Spinelli, a empresa deve ter um desempenho muito parecido com o do segundo trimestre. A seu ver, a Usiminas não deve ter tido um impacto financeiro tão forte, pois proporcionalmente tem muito caixa em relação a dívida total de R$ 8,4 bilhões.

A Gerdau é apontada como uma das siderúrgicas em melhor situação pelos analistas. Na média das projeções sua receita líquida esperada é de R$ 8,9 bilhões, o Ebitda de R$ 1,1 bilhão e o lucro de R$ 423,5 milhões.

O total consolidado de suas vendas somou 4,7 milhões de toneladas no terceiro trimestre ante 4,7 no mesmo período de 2010. No Brasil, a Gerdau vendeu 1,8 milhão de toneladas de aços longos e no exterior, 2,8 milhões. A empresa sofreu uma redução em suas vendas de aços especiais para 708 mil toneladas face a problemas com sua empresa na Espanha, devido à crise europeia.


O contrato na Shanghai Futures Exchange para vergalhões de aço, geralmente usado na construção civil, caiu 18,1% desde setembro, para 4,021 mil yuans a tonelada, na terça-feira. Na semana passada, o aço atingiu um mínimo em um ano.

O custo do minério de ferro é crucial para a rentabilidade dos setores siderúrgico e minerador, e também impacta a inflação, pois repercute no custo de itens de uso diário, como refrigeradores e máquinas de lavar. As commodities respondem pela maior parte dos lucros em empresas de mineração mundial, como a Vale, do Brasil, a Rio Tinto e a BHP Billiton.

A consultoria MySteel estima que 5% da produção de aço na China foi desativada, nas últimas semanas. As pequena usinas siderúrgicas que cortam sua produção normalmente compram minério de ferro no mercado à vista, em grande parte de mineradoras indianas, e por isso sua ausência pode provocar uma queda desproporcionalmente grande nos preços do mercado à vista. Usinas siderúrgicas maiores, que compram suas matérias-primas de mineradoras maiores, ainda estão com sua produção aquecida, segundo traders, embora algumas já tenham anunciado cortes de produção relacionados com operações de manutenção.

O setor de construção civil, uma grande fonte de demanda por aço, esfriou neste ano, depois que Pequim começou a tentar conter a alta dos preços dos imóveis. Durante o ano passado a China elevou as taxas de juros e as reservas compulsórias dos bancos, num esforço para combater a inflação, e essas medidas estão restringido o fluxo de crédito na economia.