22 de Outubro, 2011 - 10:49 ( Brasília )

Geopolítica

Venezuela diz que Otan conduziu "política de barbárie" na Líbia


O governo da Venezuela oficializou nesta sexta-feira sua condenação contra "o crime cometido no dia 20 de outubro de 2011 contra o líder líbio Muammar Kadafi" e o que denominou "política de barbárie conduzida pela Otan e seus aliados na Líbia".

Em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, o Governo do presidente Hugo Chávez disse que a Otan e seus aliados afundaram a Líbia na guerra e subverteram pela força a ordem institucional desse país nos últimos quatro meses.

"A agressão militar unilateral e ilegal da Otan contra um país que não efetuou ato de guerra algum, semeia um triste precedente que poderá ser utilizado convenientemente pelo império contra qualquer nação do Sul que se interponha no caminho de sua política de dominação", diz o documento.

O comunicado ressalta que "as potências colonialistas" conduziram uma política violenta na nação africana para mudar o regime "em violação dos mais básicos princípios do Direito Internacional".

Além disso, o texto da Chancelaria acrescenta que a "Venezuela reitera seu repúdio à cultura de morte imposta pelas elites ocidentais que hoje incendeiam o mundo a fim de monopolizar as riquezas e os recursos soberanos dos povos".

Insurreição líbia culmina com queda de Sirte e morte de Kadafi
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civil que cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.

Dois meses depois, os rebeldes invadiram Beni Walid, um dos últimos bastiões de Kadafi. Em 20 de outubro, os rebeldes retomaram o controle de Sirte, cidade natal do coronel e foco derradeiro do antigo regime. Os apoiadores do CNT comemoravam a tomada da cidade quando os rebeldes anunciaram que, no confronto, Kadafi havia sido morto. Estima-se que mais de 20 mil pessoas tenham morrido desde o início da insurreição.