20 de Outubro, 2011 - 10:34 ( Brasília )

Geopolítica

Armas do Ocidente - AI acusa países de vender armas usadas na repressão a revoltas no mundo árabe.

Relatório da organização acusa 17 países de fornecerem armas a nações como Síria, Líbia e Egito. Armamentos vindos de Alemanha, EUA e França, por exemplo, teriam auxiliado na repressão de revoltas no mundo árabe.

A organização de direitos humanos Anistia Internacional acusa 17 países de exportar grandes quantidades de armas para o Oriente Médio e o Norte da África, contribuindo, assim, para a repressão a protestos locais.

De acordo com um relatório publicado nesta quarta-feira (19/10), entre 2005 e 2009, somente a Alemanha concedeu licenças de exportação no valor de 77 milhões de euros para armas de pequeno porte, munição e veículos militares.

Para o estudo de cem páginas, a organização inspecionou remessas de armamento para Egito, Bahrein, Líbia, Síria e Iêmen. Os principais exportadores de armas a esses países foram – além da Alemanha – Bélgica, Bulgária, França, Reino Unido, Itália, Áustria, Rússia, República Tcheca e Estados Unidos.

"Essas remessas de armas foram aprovadas apesar de, naquele tempo, já haver um risco elevado de essas armas serem usadas na violação de direitos humanos", diz Mathias John, especialista em armamento da organização.

As armas, munições e outros tipos de armamento exportados foram usados por policiais e soldados para "matar, ferir ou perseguir arbitrariamente manifestantes pacíficos" em países como Tunísia e Egito, critica a organização.

Falta de controle

O estudo destacou a falta de controle para a exportação de armas, com todas as suas brechas, e salientou a necessidade de um efetivo Tratado de Comércio de Armas global, disse Helen Hughes, pesquisadora da Anistia Internacional.

Para o Iêmen, por exemplo, onde cerca de 200 manifestantes morreram em 2001, pelo menos 11 países forneceram auxílio militar ou exportaram armamentos. Outros dez países concederam licenças de exportação de armas, munição e equipamentos para a Líbia de Muammar Kadafi desde 2005 – entre eles Bélgica, França, Alemanha, Itália, Rússia, Espanha e Reino Unido. O documento cita também os casos da Síria e do Egito.

Verdes na Alemanha

Na Alemanha, o Partido Verde exigiu uma proibição do fornecimento de armas a países em que os direitos humanos são violados em grande escala. O deputado Volker Beck disse ser um "pesadelo" o fato de armas alemãs terem sido utilizadas para a repressão de protestos. Beck solicitou uma explicação detalhada das exportações de armas futuras.

LPF/afp/dpa
Revisão: Roselaine Wandscheer