17 de Outubro, 2011 - 09:34 ( Brasília )

Geopolítica

Tropas quenianas entram cada vez mais na Somália


As tropas quenianas entraram nesta segunda-feira ainda mais no sul do território somali para combater os rebeldes islamitas shebab, acusados por Nairóbi de ser os responsáveis pelos recentes sequestros de estrangeiros em seu território.

Na província somali de Baixo Juba testemunhas observaram tropas quenianas apoiadas por tropas do governo somali de transição e milícias locais perto da cidade de Qoqani. A cidade, situada a 45 km da fronteira, era um bastião dos shebab.

"As tropas quenianas, apoiadas por tanques e outros veículos militares, tomaram posição perto de Qoqani", afirmou por telefone Saleban Mohamed, um morador de uma localidade vizinha. "Pude ver 32 caminhões e tanques transportando centenas de homens em direção à região", acrescentou.

No domingo, o porta-voz do governo queniano, Alfred Matua, havia anunciado a entrada de militares enviados por Nairóbi à Somália para "perseguir os shebab considerados responsáveis por raptos e ataques em nosso país".

A operação queniana é realizada após o sequestro de duas funcionárias espanholas do Médicos Sem Fronteiras (MSF), Montserrat Serra e Blanca Thiebaut, na quinta-feira nos acampamentos de refugiados de Dadaab, a leste do Quênia e a uma centena de quilômetros da fronteira somali.

Os acampamentos de Dadaab, que quando foram criados, em 1991, foram projetados para 90 mil refugiados, abrigam atualmente cerca de 450 mil. Desde o início de outubro, mais de 7.500 pessoas chegaram a este complexo, segundo a ONU, principalmente somalis.

A Somália, um país sem lei nem governo efetivo, está afundada desde 1991 em uma série de episódios de confrontos civis, o que abre espaço para a pirataria, as milícias armadas e os rebeldes extremistas.

Os shebab, vinculados à Al-Qaeda, controlam boa parte do sul da Somália. Travam intensos combates com as milícias locais somalis apoiadas pelas tropas quenianas ao longo da zona fronteiriça entre os dois países.

Nairóbi os acusa de estar por trás de diversos raptos, mas até agora nenhum deles foi reivindicado pelo grupo. No dia 11 de setembro, uma turista britânica, Judith Tebbutt, foi sequestrada, e no dia 1 de outubro o mesmo ocorreu com a francesa Marie Dedieu. As autoridades quenianas acreditam que todas estas mulheres foram levadas à Somália.