07 de Outubro, 2011 - 17:08 ( Brasília )

Geopolítica

Dez anos depois, Taliban diz: "A vitória está conosco"


O Taliban prometeu continuar combatendo todas as forças estrangeiras que restam no Afeganistão em uma declaração feita nesta sexta-feira para marcar o 10o aniversário da campanha militar dos Estados Unidos no país.

A luta do grupo na última década, "mesmo com armas e equipamentos escassos, forçou os ocupadores, que pretendiam ficar para sempre, a repensar a sua posição", disse o porta-voz do Taliban, Zabihullah Mujahid, na declaração escrita em inglês.

O presidente Hamid Karzai e seus apoiadores ocidentais concordaram que todas as tropas de combate estrangeiras voltem para casa até o fim de 2014.

O Ocidente, no entanto, prometeu apoio para depois dessa data na forma de fundos e treinamento para as forças de segurança afegãs.

Neste 7 de outubro completam-se dez anos do início da campanha militar dos EUA no Afeganistão, lançada após os ataques de 11 de setembro de 2011 nos EUA, que ajudou a derrubar o governo linha-dura do Taliban.

Um porta-voz das forças lideradas pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que lutam no Afeganistão afirmou que não há nada planejado para comemorar o dia.

O andamento da guerra no Afeganistão tem sido bastante polêmico. Ambos os lados alegam ter vencido.

A violência se disseminou para as regiões norte e oeste, que já foram pacíficas, e os insurgentes executaram uma série de assassinatos, entre eles o de um ex-presidente. Mas as forças da Otan reforçaram o controle sobre antigos redutos do Taliban no sul do país.

"Com a ocorrência dos 10 anos da Jihad promovida pelo povo afegão contra os invasores, devemos lembrar que a vitória divina está conosco", disse o comunicado de Mujahid, que foi enviado por email.

"Se segurarmos firme na corda de Alá, evitarmos a insinceridade, a discórdia, a hipocrisia e outras doenças, então, com a ajuda de Alá, nosso inimigo será forçado a abandonar por completo nosso país", acrescentou.

Embora as tropas estrangeiras tenham sido inicialmente bem-recebidas como libertadoras no Afeganistão, a presença delas provocou muitas mortes. Bilhões de dólares que entraram no país alimentaram a corrupção, assim como a mudança.