24 de Setembro, 2011 - 15:40 ( Brasília )

Geopolítica

Batalha pela vaga brasileira

Ministro das Relações Exteriores discute com o G-4 e com o Brics a ampliação do Conselho de Segurança da ONU

DENISE ROTHENBURG
Enviada especial

Nova York —Menos de 24 horas depois de a presidente Dilma Rousseff embarcar de volta ao Brasil, o ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota, participava de uma maratona de reuniões em cumprimento do que a presidente afirmou em seu discurso. Em especial, a ampliação do Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma das principais reivindicações do Brasil reforçada pelo discurso da presidente na ONU, e a retomada da normalidade na Líbia. Quanto à Líbia, a ordem dos Brics (Brasil, Rússia, China e África do Sul) definida ontem é pressionar desde já pelo cessar-fogo e reabertura do espaço aéreo. No caso do conselho de Segurança, a ideia é tentar levar a 66ª Assembleia Geral das Nações Unidas a aprovar ainda este ano uma resolução que o torne mais democrático.

"A questão faz parte da agenda desta Assembleia Geral. Estamos realizando uma sondagem no âmbito no G-4 (Brasil, Índia, Japão e Alemanha) em torno de um projeto de resolução curto, que simplesmente prevê a ampliação do conselho nas duas categorias, de membros permanentes e não permanentes", disse Patriota.

Ele contou que essa proposta já conta com 80 assinaturas favoráveis. "Não há outra plataforma com apoio tão grande. E de manifestações verbais, não formalizadas, temos 40 países. De modo que estamos bem perto dos dois terços que conduziriam a um processo de reforma", afirmou, sem, no entanto, avançar na fixação de um prazo final para que isso ocorra.

A ampliação do Conselho de Segurança foi objeto de duas reuniões do ministro Patriota ontem em Nova York. Alem do G-4, o tema foi parte da reunião dos chanceleres dos Brics, onde até o chinês Yang Jiechi disse que "todo país que valoriza a democracia no plano doméstico, deve também valorizar no plano multilateral".

Encontros bilaterais

A avaliação geral é a de que desde abril — quando a cúpula dos Brics discutiu a ampliação do conselho, em Hainan (China) e o país anfitrião deu apoio ao Brasil em sua busca por um assento permanente nesse grupo — houve uma aceleração do processo para democratização do colegiado. "Não há mais justificativa possível para retardar essa ampliação", disse Patriota. "Quando o Conselho de Segurança foi criado, a ONU tinha 60 integrantes. Hoje, conta com 193 e poderá ter 194, se a Palestina ingressar. O que buscamos é a atualização em função das mudanças políticas e geoeconômicas da última década", afirmou o chanceler.

Patriota permanece nos Estados Unidos até segunda-feira. Terá, nesse período, 20 encontros bilaterais, muitos deles relacionados ao Conselho de Segurança. Buscará também apoio para o cessar-fogo na Líbia e também a reabertura do espaço aéreo. O Brasil avalia ainda o envio de alimentos, remédios e outros bens de primeira necessidade para a população líbia, que ainda sofre com a violência dentro do processo de transição, com a derrubada do ditador Muamar Kaddafi. Na reunião dos Brics, os chanceleres dos cinco países concluíram que a ordem agora é "olhar para frente e tratar da reconstrução".