30 de Dezembro, 2017 - 21:40 ( Brasília )

Geopolítica

Irã – Mídia Ocidental tenta esconder os conflitos

Atos começaram para manifestar insatisfação com alta dos preços, desemprego e corrupção. Dois manifestantes foram mortos, segundo relatos.


 

Agências e
Equipe DefesaNet
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O Irã viveu neste sábado (30DZ2017) o terceiro dia consecutivo de protestos contra o governo do presidente Hassan Rouhani e o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades do país. Houve confronto entre a polícia e os manifestantes na capital Teerã e, segundo relatos de manifestantes, seis pessoas que participavam dos protestos em Dorud foram mortas.

A onda de protestos contra o governo começou na última quinta-feira (28) em Mashhad, cidade com 2 milhões de habitantes, e se espalhou por várias cidades nesta sexta-feira e neste sábado. Autoridades divulgaram que 50 pessoas foram presas desde o primeiro dia.

Manifestações não autorizadas, como as desses dias, são proibidas no Irã. O país penaliza qualquer manifestação considerada "contrária à gestão do país e suas instituições políticas e às políticas nacionais e exteriores".

Os atos começaram para expressar a insatisfação dos iranianos com a alta dos preços, o desemprego e a corrupção, mas se transformaram em um protesto contra o governo.

De acordo com a agência Associated Press, as manifestações parecem ser as maiores que aconteceram no país desde 2009, quando foram realizadas eleições presidenciais controversas.

Ainda segundo a agência, os preços de vários itens, como o ovo, subiram até 40% nos últimos dias no país. O governo atribuiu a alta do ovo a um abate de aves por medo da gripe aviária.

O presidente americano Donald Trump apoiou os manifestantes em uma mensagem publicada em seu perfil no Twitter e, após a sua mensagem, a televisão estatal iraniana rompeu o silêncio sobre os protestos antigoverno, dizendo que não os havia reportado por ordens de autoridades de segurança.

"Muitos relatos de protestos pacíficos por cidadãos iranianos cansados da corrupção do governo e os desperdícios da riqueza da nação para financiar o terrorismo fora do país. O governo iraniano deveria respeitar os direitos de seu povo, incluindo o direito de se expressar. O mundo está vigiando", tuitou Trump.

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Horas depois, a TV estatal afirmou: "Os grupos contrarrevolucionários e os meios de comunicação estrangeiros continuam suas tentativas organizadas de abusar dos problemas econômicos e de subsistência da população e suas exigências legítimas para organizar reuniões ilegais e que possivelmente acabe em caos"

Confronto e manifestantes baleados

Na capital, centenas estudantes universitários protestaram na Universidade de Teerã. A polícia cercou as portas do local e isolou a área. Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Os manifestantes entraram em confronto com a polícia, que disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersá-los.

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Um ponto interessante é que a polícia tem usado o prédio da antiga embaixada do Estado Unidos, em Teerã, para prender os presos mas manifestações. Quando da derrubado do Xé Reza Pajlevi, jovens estudantes tomaram a embaixada e mantiveram refén vários funcionários americanos por 444 dias.  (ver fracasso Operação Eagle Clow Link)

A polícia também dispersou manifestantes que cantavam lemas de ordem contra as autoridades no centro de Teerã, na avenida Enghelab.

Dois manifestantes foram baleados e mortos neste sábado pelas forças de segurança na cidade de Dorud, no oeste do país, de acordo com relatos feitos em um vídeo publicado nas redes sociais, informa a agência de notícias Reuters.

Manifestação pró-governo

Neste sábado, além dos protestos contrários a Rouhani também foram realizados atos pró-governo no Irã. Segundo a Deutsche Welle, dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas para apoiar o presidente.

Esta manifestação estava programada há semanas e ocorre anualmente desde 2009 para lembrar o movimento que defendeu a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a alegações de fraude.

Aos 68 anos, Hassan Rouhani é considerado um reformista moderado, cuja principal marca no governo é o pacto nuclear com as potências mundiais assinado em julho de 2015 e a retomada de diálogo com o Ocidente.

Rouhani também é conhecido por ser parte do clero iraniano e por servir como conselheiro ao líder supremo do país.

Sistemas políticos

O Irã é frequentemente visto como uma teocracia islâmica, mas é uma mistura de diferentes sistemas políticos, incluindo elementos da democracia parlamentar.

Apesar de o processo eleitoral iraniano ser similar ao de uma democracia, o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, está acima das maiores decisões políticas do país, mantendo controle dos poderes legislativo e judiciário. Cabe a ele aprovar ou não o resultado das eleições, assim como fazer decisões diplomáticas, controlar o exército iraniano e a agenda de assuntos domésticos.


Mensagem enviada pela ex-Imperatriz Farah Diba Pahlevi, viuva do Zá Rezah Pahlevi.