21 de Agosto, 2011 - 22:36 ( Brasília )

Geopolítica

LÍBIA - O Final está Próximo


com agências


Uma praça no centro da capital da Líbia, Trípoli, foi tomada por centenas de rebeldes e uma multidão gritando frases de vitória e celebrando.

Os rebeldes começaram a entrar em Trípoli na noite de sábado e intensificaram os ataques durante o domingo. O confronto em diversas áreas da cidade deixou centenas de mortos.

Segundo os correspondentes da BBC no local, houve pouca resistência por parte forças do governo, à medida que os rebeldes avançavam. No entanto, o conflito continua em alguns bairros.

Uma desses pontos fica no entorno do hotel que hospida a mídia internacional. Segundo o correspondente da BBC Trípoli, Matthew Price, disse que o local ainda estava sob poder do governo, mas que os rebeldes tentavam controlar o hotel. Uma intensa troca de tiros podia ser ouvida do quarto do jornalista.

A Praça Verde, no centro, e outros pontos da capital vivem na madrugada de segunda-feira um verdadeiro clima de festa, de acordo com uma correspondente da BBC cujo nome não foi divulgado para preservar sua segurança.

"Estamos ouvindo frases como 'Deus é grande' e 'Estamos livres' vindos de mesquitas espalhadas pela cidade. Há um verdadeiro clima de celebração entre as pessoas aqui, principalmente na região leste. Todos parecem acreditar que esse é mesmo o fim do regime."

Imagens de TV também mostram celebrações em cidades como Benghazi (leste), uma das primeiras a ser tomadas pelos rebeldes.

Filhos de Khadafi

O Tribunal Penal Internacional (TPI) confirmou que um dos filhos de Khadafi, Saif al-Islam, foi capturado na capital. Ele era considerado o sucessor do pai no governo líbio.

Os rebeldes afirmam ainda que um outro filho de Khadafi - Mohamed - teria se rendido, assim como a guarda pessoal do líder líbio, mas a informação não pode ser confirmada por fontes oficiais.

No início da madrugada, o canal de TV oficial do país foi tirado do ar e a transmissão também foi interrompida na rede Al-Libiya, que pertence a Saif al-Islam.

Segundo moradores, os sinais foram interrompidos por grupos anti-Khadafi. Há também muitos relados de pessoas em Trípoli que estão conseguindo entrar na internet, cujo acesso havia sido cortado no início do conflito, há seis meses.

Vítimas

O governo líbio confirmou que os rebeldes invadiram Trípoli e, segundo o porta-voz Moussa Ibrahim, 1.300 pessoas foram mortas na cidade nas últimas 24 horas.

Pela manhã, centenas de rebeldes líbios entraram na capital, Trípoli, vindos de cidades conquistadas no oeste do país.

Eles foram saudados por uma multidão de civis nas ruas, que gritavam frases contra o regime de Khadafi e agitavam a bandeira dos rebeldes.

Forças antigoverno já haviam tomado o controle de postos militares nas vias de acesso a oeste de Trípoli, onde pegaram armas e munições.

Os rebeldes afirmaram que há centenas de novos combatentes chegando à capital, vindos do oeste do país.



Mais de 1,3 mil mortos em ofensiva rebelde contra Trípoli

TRÍPOLI - Mais de 1,3 mil pessoas já teriam morrido na ofensiva rebelde contra Trípoli, iniciada na noite de sábado, afirmou neste domingo, 21, um porta-voz do governo líbio. "Em 24 horas, 1,3 mil pessoas foram mortas em Trípoli", declarou Mussa Ibrahim, o porta-voz, em uma entrevista coletiva concedida na noite de hoje na capital líbia.

Horas antes, uma fonte no governo informara que pelo menos 376 pessoas haviam morrido e mais de mil tinham ficado feridas na ofensiva rebelde contra Trípoli. Não havia meios de obter confirmação independente do número de vítimas.

Ibrahim qualificou a situação como "uma verdadeira tragédia", mas assegurou que o regime "ainda está forte e milhares de voluntários e soldados estão prontos para lutar".

Forças rebeldes iniciaram na noite de sábado uma ofensiva sobre a capital. Os confrontos continuavam na noite deste domingo, com combates em diversos bairros de Trípoli. Comandantes rebeldes afirmavam que o regime do coronel Muamar Kadafi cairia "em questão de horas".

Rebeldes líbios chegam a Trípoli sem sinal de resistência

Por Ulf Laessing

AL-MAYA, Líbia (Reuters) - Combatentes rebeldes da Líbia entraram nos subúrbios de Trípoli no domingo com pouco sinal de resistência, apesar do pedido do líder Muammar Gaddafi para que os líbios pegassem em armas e esmagassem uma revolta na capital.

Um grupo de rebeldes entrou pela parte ocidental da cidade atirando para o ar, disse uma testemunha. Segundo um repórter da Sky News, houve comemoração nas ruas.

As tropas rebeldes estavam fechando o cerco à capital desde sábado, para um ataque final ao reduto do líder líbio.

"Temo que se não agirmos, eles vão queimar Trípoli", disse Gaddafi em uma mensagem em áudio transmitida pela TV estatal. "Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade."

Milhares de combatentes rebeldes foram vistos a 20 quilômetros a oeste de Trípoli, indo em direção à capital na noite de domingo, segundo um correspondente da Reuters. Durante o avanço, os rebeldes assumiram o controle de um quartel pertencente à brigada de Khamis, uma unidade de segurança de elite, comandada por um dos filhos de Gaddafi, Khamis.

Os confrontos de sábado à noite e domingo de manhã mataram 376 pessoas em ambos os lados e feriram cerca de 1.000, de acordo com uma autoridade do governo que pediu anonimato.

O tiroteio começou na noite de sábado em Trípoli, numa revolta coordenada que as células rebeldes vinham preparando secretamente há meses. Momentos depois, clérigos muçulmanos, usando os alto-falantes das mesquitas chamaram o povo para as ruas.

Em sua segunda transmissão de áudio em 24 horas, Gaddafi chamou os rebeldes de ratos.



"Estou ordenando que abram os depósitos de armas", disse Gaddafi. "Conclamo todos os líbios a aderirem a essa luta. Aqueles que tiverem medo podem dar suas armas às suas mães ou irmãs."

"Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer."

Os combates dentro de Trípoli, combinados com os avanços dos rebeldes em direção à periferia da cidade, parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da "Primavera Árabe", envolvendo a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"As chances de uma saída segura para Gaddafi diminuem a cada hora", disse Ashour Shamis, um ativista da oposição da Líbia e editor baseado na Grã-Bretanha.

Mas a queda de Gaddafi, depois de 41 anos no poder, não é dada como certa. A capital é bem maior do que qualquer coisa que os combatentes anti-Gaddafi, em sua maioria amadores, com suas armas velhas e uniformes improvisados, tiveram que enfrentar.

Se o líder líbio for forçado a sair do poder, haverá dúvidas quanto à capacidade da oposição de restabelecer a estabilidade nesse país exportador de petróleo. O comando das forças rebeldes tem sido abalado por disputas e rivalidades.

Os rebeldes disseram depois de uma noite de intensos combates que controlavam um punhado de bairros na cidade.

O avanço dos rebeldes em direção à capital foi rápido e não houve nenhum sinal de grande resistência por parte das forças de segurança de Gaddafi. Nas últimas 48 horas, os rebeldes tinham avançado cerca de 30 km para Trípoli, reduzindo a distância entre eles e a capital pela metade.

"Os rebeldes podem ter chegado muito cedo a Trípoli e o resultado poderá ser muitos confrontos sangrentos", disse Oliver Miles, um ex-embaixador britânico na Líbia. "Pode ser que, na cidade, o regime não tenha caído tanto quanto eles acham que caiu."