13 de Agosto, 2011 - 08:48 ( Brasília )

Geopolítica

Mesmo 50 anos após construção do Muro, paredões ainda separam povos

O Muro de Berlim, cujas obras começaram há meio século, não existe mais. No entanto, em algumas regiões do planeta cercas e muros com extenso policiamento e alta tecnologia continuam separando pessoas.

O Chipre foi dividido em 1974, como resultado de longos anos de tensões e conflitos sangrentos entre gregos e turcos. A chamada linha verde, que separa as duas partes da ilha, tem cerca de 180 quilômetros de comprimento. Ela passa pelo meio da capital comum, Nicósia, que desde a queda do Muro de Berlim é a última capital dividida do mundo.

Desde 2003, a situação está mais tranquila em Nicósia, após a Turquia ter aberto a fronteira para passagens diárias. Mesmo depois da integração do lado grego de Chipre à União Europeia, não há perspectiva para o fim da divisão.

Muro de proteção contra imigrantes

"Muro da vergonha". Assim ativistas de direitos humanos chamam a construção que marca a fronteira entre os EUA e o México. Uma barreira de 3 mil quilômetros de comprimento feita de placas de metal, arame farpado, detectores de movimento e câmeras de infravermelho.

Dezenas de milhares de policiais tentam impedir a imigração ilegal. Mas os imigrantes provenientes do México, Guatemala e Honduras tentam passar mesmo assim, arriscando as próprias vidas.
 

As fortificações de fronteira os obrigam a entrar cada vez mais no deserto. Cerca de 400 imigrantes morrem a cada ano tentando chegar aos Estados Unidos. Uma cifra maior do que a registrada nos 28 anos do Muro de Berlim.

Cerca na entrada da Europa

Ceuta e Melilla fazem parte da Espanha e, portanto, da União Europeia. Mas ambos ficam no continente africano. Esses enclaves do bem-estar são destino de migrantes de toda a África. Cercas de arame farpado, torres de guarda, detectores de movimento, câmeras de infravermelho e guardas armados impedem a entrada ilegal de migrantes africanos.

Os fundos para o financiamento das barreiras foram disponibilizados, em maior parte, no âmbito do Tratado de Schengen da UE. Apesar das medidas de alta segurança, há sempre tentativas de refugiados para passar pela cerca.

Parede no Oriente Médio

Uns o chamam de "muro antiterrorista", outros o veem como o "novo Muro de Berlim". Para se proteger contra ataques terroristas de extremistas palestinos, Israel separou grande parte da Cisjordânia do território israelense com paredes e cercas. No entanto, a barreira de separação avança, em parte, profundamente sobre território palestino, separa agricultores de seus campos e obriga as pessoas a grandes desvios.

De acordo com as autoridades israelenses, a barreira de separação reduziu o número de ataques terroristas. Internacionalmente, esta forma de proteção das fronteiras permanece controversa. O Tribunal Internacional em Haia ressalta, em seu relatório sobre a construção do muro, que a edificação limita muito o direito dos palestinos à autodeterminação.

Coreia, área nevrálgica da Guerra Fria

Uma fronteira fortemente equipada, as tropas capitalistas e comunistas face a face e o medo constante de uma escalada de violência. A Coreia do Sul foi, assim como a Alemanha, dividida com o fim da Segunda Guerra Mundial, numa decisão conjunta dos Estados Unidos e da União Soviética. Os coreanos, que até a divisão em 1945 estavam sob ocupação japonesa, não foram consultados.

Até hoje, ambos os lados sofrem as consequências. A fronteira é praticamente impossível de ser transposta. O povo da Coreia do Norte vive isolado, sem poder deixar um país pobre, de regime ditatorial. De vez em quando acontecem confrontos entre os exércitos do sul e do norte. Não há perspectiva para um fim da divisão.

Caxemira: 500 quilômetros de arame farpado

Uma barreira de três metros de altura atravessa mais de 500 quilômetros da região de Caxemira. Com as cercas elétricas e de arame farpado, a Índia quer impedir que terroristas vindos da parte paquistanesa passem a linha de cessar-fogo. A cerca é um problema para o processo de paz entre Índia e Paquistão porque as pessoas na Caxemira temem que a intenção da Índia seja dividir a região para sempre.

Autores: Nils Naumann/Claudia Brandt (md)
Revisão: Roselaine Wandscheer