10 de Agosto, 2011 - 10:14 ( Brasília )

Geopolítica

Riots - Prefeito de Londres credita distúrbios à falta de limites e respeito

O prefeito de Londres, Boris Johnson, afirmou em entrevista à BBC que a falta de limites e de respeito pelos jovens britânicos é um fator por trás da onda de violência que tomou conta das cidades do país nos últimos dias.

“Há uma ausência de limites e uma ausência de respeito”, afirmou Johnson em entrevista à Radio 4, da BBC. Ele pediu que a sociedade britânica devolva “o direito de impor a autoridade” aos pais e aos professores.

Muitos analistas apontam a sensação de impunidade entre os jovens é um dos principais fatores a contribuir para os distúrbios.

“Os mais jovens estão acostumados aos adultos lhes dizerem que eles não podem fazer algo ou terão de sofrer as consequências. E então, eles fazem o que querem e nada acontece", observa o criminologista John Pitts.

'Nada vai acontecer comigo'

Duas garotas que participaram da violência em Croydon, no sul de Londres, na noite de segunda-feira, afirmaram à repórter da BBC Leana Hosea que sua motivação era mostrar à polícia e “aos ricos” que podem fazer o que quiserem.

“Isso nem é uma revolta. É só para mostrar à polícia que podemos fazer o que queremos. E agora mostramos isso”, afirmou uma das meninas, que não quiseram se identificar.

A entrevista foi feita às 9h30 da manhã da terça-feira, quando as duas tomavam vinho de uma garrafa, que segundo elas, tinham tomado de uma loja de bebidas saqueada no bairro durante a madrugada. “É álcool grátis”, afirmou uma delas.

Ao serem questionadas pela repórter se não estavam atacando as pessoas do próprio bairro ao saquearem as lojas locais, uma das garotas afirmou que “é gente rica”.

“É gente rica, que tem lojas. E isso é tudo o que aconteceu, por causa das pessoas ricas. E estamos somente mostrando às pessoas ricas que podemos fazer o que queremos”, disse a outra.

Em Manchester, outro jovem, que também não quis se identificar, afirmou ao repórter da BBC Nick Ravenscroft que continuaria a participar dos distúrbios enquanto pudesse.

“Vou continuar fazendo isso até o dia em que eu for pego”, afirmou o rapaz. “Quando eu chegar em casa, nada vai acontecer comigo”, garantiu.