17 de Março, 2011 - 12:04 ( Brasília )

Geopolítica

Política de Obama precisa convencer uma América Latina segura de si

Em sua viagem ao Brasil, Chile e El Salvador, o presidente norte-americano, Barack Obama, quer definir a política de seu governo para a America Latina. Na pauta estão relações econômicas e também exemplos de democracia.

Quando o governo dos Estados Unidos olha para a América Latina, depara-se com dois mundos. De um lado, estão governos de esquerda, como Cuba, Nicarágua e Venezuela, com os quais a relação já é tensa há muito tempo.

Inesquecível permanece a cena de 2006, diante das Nações Unidas, quando o presidente venezuelano Hugo Chávez chamou de "demônio" o antecessor de Barack Obama, George W. Bush. Desde então, as relações bilaterais pouco melhoraram.

Por outro lado existem países como o Brasil, Chile e Colômbia, que a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, apresenta com prazer como "exemplos brilhantes" de democracia e sucesso econômico. O Brasil é uma verdadeira história de sucesso, destacou Clinton no início de março em uma audiência no Senado.

Brasil

No entanto, a relação com o Brasil ficou um tanto abalada desde que o país, juntamente com a Turquia, se distanciou da comunidade internacional, conduzindo, por conta própria, um acordo sobre o programa nuclear iraniano – para reprovação das potências ocidentais, sobretudo dos EUA.

A primeira parada de do presidente estadunidense, Barack Obama, vai servirá principalmente para destacar as semelhanças, explicou o embaixador brasileiro em Washington, Mauro Vieira, durante uma conferência da Heritage Foundation. Em tese, há muitos setores em que se podem esperar acordos, "entre outros, nos segmentos de energia renovável, ciência, tecnologia, educação e boa governança".

Além disso, o tema comércio – global e bilateral – está na pauta. Na batalha pela liberalização do comércio mundial na Rodada de Doha, o Brasil e os Estados Unidos contam entre os principais parceiros de negociações. Os EUA são, ainda, um dos parceiros mais importantes para o comércio exterior brasileiro.

"Mas atualmente temos um déficit comercial de 11 bilhões de dólares", diz Vieira. O objetivo é fortalecer os negócios com os Estados Unidos, com esforço especial para equilibrar a balança comercial.

Chile

O Chile será a segunda parada da viagem de Obama à América Latina: lá ele apresentará em discurso as bases de sua política para a América Latina. Isso porque o Chile serve como modelo para o desenvolvimento democrático, disse Hillary Clinton durante a visita do ministro chileno das Relações Exteriores, Alfredo Moreno. Há um ano o país elegeu como presidente o conservador de direita Sebastián Piñera.

Em suas conversas com os oposicionistas do Egito, o Chile foi mencionado muitas vezes, comentou Clinton. "Os egípcios queriam saber como o Chile tinha alcançado seu bom desempenho democrático e econômico". A resposta da secretária foi sempre: "Através de seu comprometimento inabalável com a democracia, o país trouxe êxito econômico a seus cidadãos".

Os chilenos esperam ser considerados como parceiros em pé de igualdade pelos Estados Unidos. Durante sua visita a Washington na semana passada, o ministro Moreno destacou a cooperação entre os dois países para resgatar os 33 mineiros soterrados no ano passado. "Junto com os Estados Unidos e com muitas pessoas, nossas equipes desenvolveram boas ideias para que pudéssemos resgatar todos com vida" Esse seria um bom exemplo para a parceria entre o Chile e os EUA.

Durante a visita de Barack Obama ao Chile, devem ser realizados também acordos concretos, explicou o embaixador adjunto em Washington, Robert Matus. Em sua opinião, mais chilenos deveriam aprender inglês, pois, no momento, no máximo 5% deles dominam o idioma. No entender do diplomata, isto prejudica a carreira dos profissionais chilenos e limita a produtividade global do país. Aqui deve haver uma oferta apropriada de ensino e intercâmbio, bem como nas áreas de energias limpas, gestão de desastres e proteção ambiental.

El Salvador

Já durante a visita de Obama a El Salvador outros temas estarão em evidência, diz o embaixador do país em Washington, Francisco Altschul, principalmente a segurança, não só de seu país, mas de toda a região.

Assim devem ser discutidas soluções regionais para problemas como crime organizado, gangues e tráfico de drogas. Pois, segundo Altschul: "Eles não respeitam fronteiras nem leis, não respeitam nada".

Outro tema é também importante em El Salvador: a imigração. Quase 2 milhões de imigrantes de El Salvador vivem nos EUA, explica o embaixador, dos quais 220 mil são apenas tolerados e devem prolongar seu visto a cada 18 meses.

"Essas pessoas trabalham, têm família, pagam impostos e contribuem para a economia dos Estados Unidos e de seu país de origem", diz ele. Soluções precisam ser encontradas para garantir a permanência prolongada dessas pessoas nos EUA.

Outros países competem por influência

Os Estados Unidos também têm muitos motivos para se preocupar com os vizinhos do Sul, explica Eric Farnworth, vice-presidente do "Conselho das Américas", pois outros países, como a China e o Canadá, não deixaram de notar o crescimento da América Latina e as possibilidades econômicas que se oferecem

Além disso, expande-se, por exemplo, o comércio regional com o Brasil. Farnworth alerta: "Não podemos continuar partindo do princípio que somos os únicos – se é que alguma vez o fomos".

A concorrência é grande, e portanto os países emergentes na América Latina têm liberdade para escolher. Deste modo, eles primeiro querem ouvir o que o presidente dos Estados Unidos tem a lhes oferecer.

Autora: Christina Bergmann (ff)
Revisão: Augusto Valente