08 de Outubro, 2015 - 11:30 ( Brasília )

Geopolítica

Otan vê escalada inquietante da atividade militar russa na Síria

EUA afirmam que 90% dos ataques russos na Síria não atingiram EI

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, denunciou nesta quinta-feira uma "escalada inquietante" da atividade militar da Rússia na Síria, onde Moscou intensifica há uma semana os bombardeios em apoio ao regime de Bashar al-Assad.

"Na Síria, observamos uma escalada inquietante das atividades militares russas. Vamos analisar os últimos acontecimentos e suas implicações para a segurança da Aliança", afirmou Stoltenberg antes de uma reunião de ministros da Defesa da Otan em Bruxelas.

Stoltenberg citou "as recentes violações do espaço aéreo da Otan por aviões russos", em referência ao espaço aéreo da Turquia.

"Vimos bombardeios, disparos de mísseis, incursões no espaço aéreo turco, e tudo isto é motivo de inquietação. Expressamos isto e seguimos em contato com as autoridades turcas", completou.

"Mais do que nunca necessitamos de iniciativas para encontrar uma solução política à crise na Síria", disse.

A reunião de ministros da Defesa da Otan vai abordar a guerra na Síria e a intervenção russa, que permitiu ao exército de Assad iniciar uma vasta ofensiva terrestre.

EUA afirmam que 90% dos ataques russos na Síria não atingiram EI

Os Estados Unidos afirmaram nesta quarta-feira que quase todos os ataques da Rússia na Síria não visaram o grupo Estado Islâmico e aqueles ligados à Al-Qaeda, mas apenas organizações armadas sírias moderadas que combatem o regime de Damasco.

"Mais de 90% dos ataques que assistimos não foram direcionados contra o EI ou outros grupos terroristas ligados à Al-Qaeda. Foram, em grande parte, direcionados contra grupos de oposição", declarou o porta-voz do departamento de Estado americano, John Kirby.

Avião da coalizão sofre alteração de curso para evitar aeronaves russas na Síria

Aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos que luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico tiveram de ser redirecionados ao menos uma vez para evitar as aeronaves russas na Síria, informou um porta-voz do Pentágono.

"Temos conhecimento, ao menos uma vez, de que foi preciso tomar medidas para modificar a rota para assegurar que não ocorra uma distância insegura" entre os aparelhos da coalizão e dos russos, afirmou o capitão da marinha, Jaeff Davis.

Davis disse que as operações da coalizão no Iraque e na Síria prosseguem que os esforços para evitar as aeronaves russas não causaram alterações na missão.

Mais cedo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ashton Carter, afirmou, em Roma, que seu país não está cooperando com os bombardeios da Rússia na Síria por considerá-los "fundamentalmente um erro".

"Já dissemos que acreditamos que a estratégia da Rússia é equivocada. Continuam bombardeando alvos que não são do grupo jihadista Estado Islâmico (EI)", afirmou.

"Acreditamos que é um erro fundamental", declarou Carter durante uma coletiva de imprensa.