08 de Outubro, 2015 - 10:10 ( Brasília )

Geopolítica

EUA descartam cooperação militar com a Rússia na Síria


Os Estados Unidos descartaram nesta quarta-feira uma cooperação com a Rússia na guerra síria, acusando Moscou de perseguir uma estratégia “tragicamente falha”, o que forçará as conversas militares a se restringirem ao mínimo necessário para garantir a segurança de pilotos.

As críticas do secretário de Defesa dos EUA, Ash Carter, se intensificaram a ponto de se tornarem um repúdio à Rússia, que por sua vez busca uma maior cooperação à medida que Moscou intensifica sua ação militar em apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

“Não estamos preparados para cooperar com uma estratégia que, como explicamos, é falha – tragicamente falha – por parte dos russos”, disse Carter numa coletiva de imprensa durante viagem a Roma.

Os Estados Unidos e seus aliados vêm conduzindo há um ano uma campanha de ataques aéreos contra o Estado Islâmico na Síria, enquanto pressionam para que Assad fique encurralado diplomaticamente e seja obrigado a deixar o poder.

A Rússia lançou sua própria campanha aérea no mês passado, afirmando que também teria como alvo o Estado Islâmico. Mas os aviões russos também atingiram outros grupos rebeldes que se opõem a Assad, um aliado de longa data de Moscou, incluindo grupos apoiados por Washington.

“Apesar do que o russos dizem, não concordamos em cooperar com a Rússia enquanto continuarem a perseguir uma estratégia equivocada e atingir tais alvos”, disse Carter.

Irritado com ataques aéreos na Síria, presidente turco adverte Rússia sobre contratos de energia

Irritado com incursões russas no espaço aéreo da Turquia, o presidente turco, Tayyip Erdogan, avisou a Rússia que há outros países que lhe poderiam fornecer gás natural e construir sua primeira usina nuclear.

Aviões russos entraram duas vezes no espaço aéreo turco no fim de semana, quando a Rússia desfechava ataques aéreos na Síria. Depois disso, jatos F-16 da Turquia também têm sido assediados por sistemas de mísseis baseados em território sírio e aviões não identificados.

"Não podemos aceitar a situação atual. As explicações da Rússia sobre as violações do espaço aéreo não são convincentes", disse Erdogan a repórteres quando se dirigia ao Japão para uma visita oficial, segundo o diário turco Sabah e outros meios de comunicação.

Os ataques aéreos da Rússia em apoio às forças do presidente Bashar al-Assad mudaram o equilíbrio de poder no conflito sírio e representam um golpe para as aspirações da Turquia de ver Assad ser removido do poder.

Mas, além de protestar, há pouca coisa que o governo turco pode fazer.

A Rússia é o maior fornecedor de gás natural da Turquia, que compra anualmente dos russos de 28 a 30 bilhões de metros cúbicos (bcm) do total de 50 bcm que consome. Outros fornecedores importantes são o Irã e o Azerbaijão, além de haver planos de adquirir uma pequena quantidade do Turcomenistão.

A Turquia encomendou da estatal russa Rosatom, em 2013, a construção de quatro reatores de 1.200 megawatts cada, como parte de um projeto de 20 bilhões de dólares, embora ainda não tenha sido definida a data de início do que seria a primeira usina de energia nuclear turca.

Erdogan disse estar ressentido sobre a intervenção russa na Síria, que a Turquia vê como seu próprio quintal, mas no momento não planeja conversar com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Rússia quer manter bons laços com a Turquia, diz Kremlin

A Rússia quer manter bons laços com a Turquia, disse nesta quinta-feira o porta-voz do Kremlin Dmitry Peskov, depois de o governo turco ter expressado crescente contrariedade com a intervenção militar russa na Síria.

"No que se refere à operação aérea da Rússia na Síria, nossas ações em apoio à defesa da Síria contribuem para garantir estabilidade e segurança na região que se encontra nas fronteiras da Turquia", disse Peskov a jornalistas.

Peskov afirmou ainda que qualquer aumento de presença de tropas britânicas no leste europeu será lamentável. O porta-voz afirmou ainda que a Rússia agirá para garantir "paridade" se a Grã-Bretanha decidir levar adiante essa medida.