24 de Junho, 2015 - 14:30 ( Brasília )

Geopolítica

Toneladas de Diplomacia - EUA busca conter ameaça russa no Báltico

EUA enviam armamento a países do Báltico para conter ameaça russa

Gordon Lubold
 

Os Estados Unidos estão enviando tanques, artilharia pesada e outros equipamentos a países em todo o Báltico para reforçar a segurança e impedir a Rússia de tentar uma nova incursão na região, disse ontem o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ash Carter, em visita à Estônia.

A remessa de armamentos, que incluem um total de 250 tanques, veículos de combate Bradley e artilharia autopropulsada, juntamente com 900 veículos e outros equipamentos, é a mais recente resposta americana à Rússia, num momento em que os EUA pressionam a Organização do Tratado do Atlântico Norte a impor uma presença mais assertiva na cada vez mais conturbada região.

Os armamentos serão enviados para depósitos temporários em seis países: Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia, disse Carter em uma coletiva de imprensa. Ele estava ladeado por ministros da Defesa das três nações bálticas mais preocupadas com uma possível agressão da Rússia: Estônia, Lituânia e Letônia.

“A tendência da Rússia de tentar recuar o relógio e voltar na história, em vez de seguir adiante — nós não iremos com eles”, disse Carter a um grupo de marinheiros e fuzileiros navais a bordo de um navio anfíbio americano atracado em Tallinn, na Estônia, depois de participar de exercícios no Mar Báltico.

Um dia antes, Carter, que tem sido um agente destacado da resposta de Washington a Putin, anunciou um conjunto separado de armamentos e equipamentos militares americanos para uma nova força de resposta rápida da Otan.

Os anúncios sinalizam uma estratégia revigorada para a segurança coletiva da região, diante tanto das afrontas militares convencionais quanto do início de ameaças nucleares feitas pela Rússia. Ambos devem ser discutidos na reunião que os ministros da Defesa dos países da Otan vão realizar hoje.

Ao anunciar o posicionamento de equipamentos militares dos EUA por toda a região, Carter está seguindo um plano elaborado nos últimos meses. O equipamento será armazenado em vários locais nesses países e transportado por tropas americanas, em uma série contínua de exercícios que os EUA e os outros países estão conduzindo.

“As forças rotativas americanas precisam mais rapidamente e mais facilmente participar de treinamento e exercícios na Europa”, disse Carter a jornalistas, ontem. “O significado disso é que nos permitirá realizar mais treinamento, mais exercícios e com um contingente maior do que faríamos normalmente.”

O volume de equipamento é o equivalente a uma brigada americana, que não seria páreo para uma força russa caso o presidente Vladimir Putin opte por invadir um país vizinho novamente.

Mas a investida de Putin na Ucrânia, no ano passado, acordou a aliança militar, que na época estava mais concentrada nas minúcias da retirada das forças do Afeganistão.

Durante uma viagem de cinco dias na Europa, com três paradas na Estônia, Alemanha e Bélgica, Carter enfatizou que a agressividade de Putin na região está levando a Rússia de volta ao passado. Mas, em resposta, os EUA, a Otan e outros aliados devem descartar “as regras da Guerra Fria” e pensar de uma forma nova sobre a série de desafios à segurança impostos por Moscou, disse ele.

Na semana passada, Putin anunciou que iria deslocar 40 mísseis balísticos intercontinentais para a região, agravando a ansiedade. A Rússia também tem elevado os voos de bombardeiros com capacidade nuclear.

Uma questão confrontando os ministros da Otan é como Carter e as autoridades militares regionais podem afirmar seu poder militar sem serem provocativos. Embora Moscou irá retratar essa iniciativa mais recente como uma ameaça militar dos EUA e da Otan, as autoridades americanas não enxergam dessa forma, disse um alto oficial.

“Estamos falando de cerca de 250 veículos armados, tanques, Bradleys e artilharia que não encheria o estacionamento de um colégio, e eles serão distribuídos em formações em diversos países diferentes”, disse o oficial. “Essa é a escala de que estamos falando.”

O oficial notou que um típico exercício russo pode ter até dezenas de milhares de soldados. “É útil ter em mente o contexto correto sobre quem está sendo provocativo e quem não está”, disse o oficial.

O plano de armazenar o equipamento não irá colocar tropas americanas nessas bases temporárias, apesar de a Estônia, Letônia e Lituânia terem solicitado isso à Otan.

Em vez disso, as forças rotativas americanas, que há meses vêm participando de uma série de exercícios de uma operação chamada Atlantic Resolve (algo como Resolução Atlântica), operariam o equipamento a ser usado, de acordo com a programação dos exercícios.

Atualmente, há cerca de 65 mil membros do serviço americano permanentemente estacionados na Europa, principalmente na Alemanha, Reino Unido, Itália e Bélgica. O Pentágono, primeiramente, usaria as forças que já estão na Europa para operar os equipamentos militares recém-posicionados.