18 de Julho, 2011 - 10:44 ( Brasília )

Geopolítica

Otan passa controle de província afegã a forças locais

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passou o controle da província de Bamiyan, na região central do Afeganistão, para as forças de segurança afegãs neste domingo.

Esta é a primeira de sete áreas que serão transferidas às forças locais, de acordo com um plano anunciado pelo presidente afegão, Hamid Karzai, em março.

Bamiyan é uma das províncias mais seguras do país, mas é também uma área pobre, que depende fortemente de ajuda enviada do exterior.

A entrega de controle é vista como um passo crucial na transição de poder, antes que as tropas ocidentais ponham um fim à operações de combate no país em 2014.

Cerimônia 'secreta'

Ministros e embaixadores viajaram da capital, Cabul, para Bamiyan para participar da cerimônia de transição que, por razões de segurança, não foi anunciada antecipadamente nem transmitida ao vivo pela televisão.

A partir de agora, a polícia afegã será responsável pela segurança da província, já que não há bases militares lá.

Soldados neozelandeses permanecerão na área por enquanto, mas sob comando afegão.

As próximas áreas que passarão ao controle afegão serão as províncias de Cabul e Panjshir e as cidades de Herat, Mazar-e Sharif, Lashkar Gah e Mehtar Lam.

O maior desafio para as forças locais deve estar no controle de Lashkar Gah, a capital da província de Helmand, no sul do país, onde insurgentes do Talebã continuam atuando.

No sábado, um soldado britânico foi morto perto da cidade enquanto participava de uma patrulha com o exército afegão. Relatos indicam que ele teria seido alvejado por um homem vestindo um uniforme militar afegão.

Semanas depois do anúncio do presidente Karzai, em março, sete funcionários da ONU foram mortos durante um protesto em Mazar-e Sharif, no norte.

População preocupada

Analistas dizem que se a transição em Bamyian não funcionar, será difícil levar adiante a transferência de poder em regiões menos seguras do país.

Já integrantes da administração local dizem estar otimistas, afirmando que Bamiyan não foi afetada seriamente pela ofensiva do Talebã nos últimos anos.

Muitos afegãos que vivem na região, no entanto, sofrem com a falta de alimentos e temem que a transição possa representar mais corrupção, menos emprego e menos segurança.

Recentemente, o Afeganistão enfrentou uma série de ataques de alto nível, como a operação organizada por militantes em um hotel de luxo em Cabul que deixou 22 mortos.

Na terça-feira, o meio-irmão do presidente Karzai foi morto a tiros pelo próprio segurança, em Kandahar, em um ataque reivindicado pelo Talebã.

Atualmente, há cerca de 140 mil soldados estrangeiros no Afeganistão lutando contra os insurgentes, sendo quase 100 mil deles dos Estados Unidos.