16 de Junho, 2015 - 18:30 ( Brasília )

Geopolítica

Chefe da Otan critica ameaças "perigosas" da Rússia


O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, acusou a Rússia de fazer ameaças após anunciar um aumento em seu arsenal de mísseis nesta terça-feira, e alertou que a medida era "desestabilizadora e perigosa".

Em entrevista coletiva em Bruxelas, Stoltenberg disse que essa retórica de Moscou explica o aumento da prontidão de parte das forças da aliança ocidental para defender seus membros.

"Essa ameaça nuclear da Rússia é injustificada", disse.

"É desestabilizadora e perigosa. Isso é algo que nós estamos tratando, e também é uma das razões pelas quais nós estamos agora aumentando a prontidão e preparação de nossas forças", acrescentou.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou mais cedo nesta terça que a Rússia vai acrescentar mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais a seu arsenal nuclear este ano.

Putin diz que Rússia está reforçando o arsenal nuclear

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira que a Rússia vai acrescentar mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais a seu arsenal nuclear este ano.

Putin fez o anúncio um dia depois de autoridades da Rússia repudiarem um plano dos Estados Unidos para posicionar tanques e armamento pesado em países da Otan ao longo da fronteira russa, que seria a manobra norte-americana mais agressiva desde a Guerra Fria.

“Mais de 40 novos mísseis balísticos intercontinentais capazes de superar até os sistemas de defesa antimísseis mais avançados tecnicamente serão acrescentados à composição do arsenal nuclear este ano”, afirmou Putin, flanqueado por oficiais do Exército, em um discurso durante uma feira militar e de armas.

A tensão entre a Rússia e os EUA está alta em função da crise na Ucrânia, e Washington e Moscou discordam a respeito de uma variedade de temas.

Autoridades russas alertaram que Moscou irá retaliar se os EUA levarem a cabo o plano de armazenar equipamento militar pesado no leste europeu, incluindo os Estados bálticos que no passado fizeram parte da União Soviética.

 

Rússia adverte que vai reagir se EUA armazenarem armas pesadas no Leste Europeu

Um alto funcionário do Ministério da Defesa russo advertiu nesta segunda-feira que a Rússia vai aumentar suas forças no flanco ocidental se os Estados Unidos armazenarem armas pesadas nos Estados bálticos e na Europa Oriental.

O general Yuri Yakubov fez a declaração porque no fim de semana uma autoridade dos EUA afirmou que o país planeja armazenar equipamento militar pesado nos países bálticos e Leste Europeu para tranquilizar seus aliados, que estão preocupados com o papel da Rússia na Ucrânia, e para impedir uma agressão.

Segundo a mídia russa, o general disse que a medida seria "o passo mais agressivo do Pentágono e da Otan" desde a Guerra Fria. "A Rússia não teria nenhuma outra opção a não ser aumentar suas tropas e forças no flanco ocidental", afirmou Yakubov, segundo a agência de notícias russa Interfax.

O general disse que a Rússia iria primeiro acrescentar novas unidades aéreas, de tanques e artilharia na sua fronteira ocidental e também iria acelerar a implantação de novos mísseis Iskander no enclave de Kaliningrado, além de reforçar suas tropas em Belarus.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, se recusou a comentar a questão. Ele disse que as autoridades russas não entraram em contato com os seus homólogos norte-americanos no fim de semana para buscar mais informações sobre os planos militares, que emergem num momento em que as relações entre Moscou e o Ocidente caíram a níveis mínimos por causa do conflito na Ucrânia.

A Rússia há muito tempo vem protestando contra o que define como tentativas ocidentais de violar seu território, incluindo a incorporação de antigas repúblicas soviéticas e países do Leste Europeu -antes parte da órbita da União Soviética- à aliança militar da Otan.