18 de Maio, 2015 - 11:45 ( Brasília )

Geopolítica

"Estado Islâmico" consolida conquista de Ramadi, no Iraque

Tropas iraquianas se retiram da capital da província de Anbar, agora sob poder dos islamistas. Governo local estima que cerca de 500 pessoas, entre civis, militares e jihadistas, teriam morrido nos conflitos.

O "Estado Islâmico" (EI) consolidou neste domingo (17/05) a captura de Ramadi, capital da província de Anbar, após a retirada das forças iraquianas. Esta é uma das mais importantes perdas do governo de Bagdá desde o início da ofensiva para retomar o território perdido aos jihadistas.

"O comando das operações em Anbar foi desativado", informou à agência AFP o porta-voz do governo da província, Muhammad Haimour. Diversas autoridades de segurança do país confirmaram a retirada das forças iraquianas da região.

Os milicianos do EI, que já controlavam grande parte da província de Anbar, utilizaram uma série de atentados suicidas com carros-bomba para tomar a cidade, e hastearam a bandeira negra da organização islamista na sede do comando militar da província.

"O Daesh [acrônimo em árabe para a organização terrorista] tomou o controle de todas as principais bases de segurança", afirmou um tenente-coronel que estava entre as tropas iraquianas que bateram em retirada do centro de comando das operações, utilizando o nome do EI em árabe.

"Não temos um número exato de mortes, mas acreditamos que em torno de 500 pessoas, entre civis e militares, perderam suas vidas nos últimos dois dias", afirmou Haimour, acrescentando que os combates ainda aconteciam em algumas áreas.

O primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, havia aprovado o envio de unidades das milícias da Mobilização Popular (Hashed al-Shaabi) para tentar resgatar Ramadi, em uma atitude que marca uma mudança de postura em relação a oposição da província sunita de permitir a utilização dessas forças, que abrigam diversos grupos de combatentes xiitas.

Os combates resultaram numa nova onda de fugas de civis no país. A Organização Internacional para a Migração afirma que oito mil pessoas foram forçadas a fugir da região, número que ainda deve aumentar.

"Estamos extremamente preocupados com massacres que poderão ocorrer nas próximas horas", alertou Haimour. O primeiro-ministro Abadi jurou que não irá abandonar a cidade, a cerca de cem, quilômetros da capital, Bagdá.

Exército iraquiano tenta conter grupo Estado Islâmico após tomada de Ramadi¹

Os jihadistas entraram em Ramadi em abril, mas a ofensiva se intensificou na semana passada, quando o grupo Estado Islâmico (EI) tomou o controle da parte central da cidade, onde estão instaladas as repartições da administração regional. No domingo, o porta-voz do governo da província, Mouhannad Haimour, confirmou que o centro de comando das operações militares de Ramadi estava nas mãos dos rebeldes. O EI já controla a maior parte a região de al-Anbar, que vai das fronteiras com a Síria, Jordânia e Arábia Saudita até as redondezas de Bagdá.

Diante da situação, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, ordenou que os forças armadas e as milícias aliadas “se mantenham em suas posições para impedir que o EI controle outros setores do país”. Boa parte dos soldados iraquianos já deixaram a cidade.

A ofensiva que resultou na tomada de Ramadi começou na quinta-feira (14), com vários ataques suicida. Cerca de 500 pessoas, entre civis e combatentes, foram mortos apenas no fim de semana. Segundo a Organização Internacional das Migrações (OIT), pelo menos 8 mil moradores já fugiram da cidade.

Washington se mostra confiante

De Seul, onde se encontra em visita oficial, o secretário norte-americano de Estado, John Kerry, se mostrou otimista, apesar da tomada da capital da província de al-Anbar. “Eu tenho uma confiança absoluta de que, nos próximos dias, a situação vai se inverter”, disse o representante da diplomacia dos Estados Unidos.

¹com RFI - França