21 de Março, 2011 - 11:00 ( Brasília )

Geopolítica

Líbia - Kadafi desafia coalizão internacional

Ditador líbio chama ocidentais de "novos nazistas" e se diz pronto para guerra longa, enquanto suas tropas são novamente alvos dos caças internacionais. Continuam ataques a rebeldes em Misurata.

Após os ataques aéreos maciços da chamada coalizão internacional contra instalações militares da Líbia, Muamar Kadafi ameaçou os Estados Unidos, França e Reino Unido com retaliações. "Estamos prontos para uma guerra longa e gloriosa. Vamos derrotá-los”, afirmou Kadafi, em um discurso transmitido pela TV líbia.

Já na madrugada deste domingo (20/03), aviões de guerra britânicos e franceses atacaram instalações militares líbias. Navios de guerra e submarinos dos EUA e Reino Unido também dispararam foguetes e mísseis de cruzeiro para neutralizar a defesa aérea líbia.

"Agora este é um confronto do povo líbio com a França, Inglaterra e os EUA, com os novos nazistas", disse Kadafi. Na televisão, só a voz do ditador podia ser ouvida, enquanto era mostrada a imagem de um punho dourado esmagando um avião de guerra norte-americano. "Vocês vão cair, como Hitler foi derrubado. Todos os tiranos caem", completou.

Caças e mísseis em ação

Aeronaves de combate francesas prosseguiram os ataques no domingo. Vários caças do tipo Rafale e Mirage 2000 bombardearam tanques na manhã, segundo relatos de oficiais militares em Paris. O porta-aviões Charles de Gaulle está sendo preparado em Toulon para uma missão ao largo da costa do país árabe.

Durante a noite, navios de guerra dos EUA dispararam mais de 110 mísseis de cruzeiro do tipo Tomahawk, segundo Departamento norte-americano de Defesa. Cerca de 20 instalações militares teriam sido alvejadas. A televisão estatal da Líbia noticiou que, na primeira onda de ataques na noite, 48 pessoas foram mortas e mais de 150 ficaram feridas.

Após semanas de hesitações, de um mandato da ONU, da obtenção do apoio árabe, uma coligação internacional com os Estados Unidos, a França e o Reino Unido na liderança passou à ofensiva neste sábado, para tentar travar a repressão à revolta contra o regime de Muamar Kadafi, lançada há mais de um mês.

Papa pede pelos civis

A China e a Rússia, membros permanentes do Conselho de Segurança, abstiveram-se, mas não utilizaram seu direito de veto para bloquear o texto. Ambos os países lamentaram a intervenção militar internacional, efetuada no âmbito de uma resolução da ONU.

O papa Bento 16 lançou um apelo urgente aos líderes militares e políticos para que considerem a segurança dos civis líbios e garantam que eles tenham acesso à ajuda de emergência, em seus primeiros comentários sobre o conflito, realizados durante a tradicional bênção dominical. "As hostilidades acenderam muito medo e alarme em mim", disse Bento 16. O pontífice afirmou que está rezando pela paz.

O Vaticano não se pronunciou ainda sobre as tensões crescentes na Líbia e sobre a decisão ocidental de autorizar o uso de força militar. Nos preparativos para a guerra do Iraque, há oito anos, o papa João Paulo 2º e altos cardeais do Vaticano expressaram oposição enfática à ação militar norte-americana.

Ataques a Misurata

ropas do líder líbio Muamar Kadafi continuaram ataques à cidade de Misurata. Um morador disse à emissora britânica BBC que a cidade está sendo atacada em três frentes com artilharia, usando armas pesadas contra zonas residenciais. Misurata, localizada 210 quilômetros a leste de Trípoli, é a terceira maior cidade do país e está sob controle da oposição.

Mais de 90 pessoas morreram nos combates de sexta-feira à noite e sábado, durante a ofensiva das forças de Kadafi contra os rebeldes em Bengasi, segundo fontes hospitalares. "Recebemos ontem 50 cadáveres e hoje já emitimos 35 certidões de óbito", disse neste domingo Khaled Mugasabi, médico do hospital Jala, no centro de Bengasi.

Bengasi, situada a mil quilômetros da capital da Líbia, é o bastião dos rebeldes e tem sido o epicentro da contestação ao regime de Kadafi, iniciada em 15 de fevereiro. Após os ataques da coalizão internacional, a situação se tranquilizou na cidade.

MD/ap/lusa/dpa/rtr/afp
Revisão: Augusto Valente