01 de Março, 2015 - 18:46 ( Brasília )

Geopolítica

Informe Otalvora – A repressão mina o apoio internacional a Maduro

Os índices de popularidade de Maduro são excepcionalmente baixos até para entre aqueles que de definem como chavistas. Só 13,5% dos entrevistados consideram que o Governo está no “caminho correto”


Edgar C. Otálvora
@ecotalvora


O Informe Otálvora teve acesso a uma extensa pesquisa de opinião realizada em toda a Venezuela, e cujo trabalho de campo terminou em meados de dezembro e foi completado durante o mês de fevereiro. Os resultados, de confiabilidade dado o volume da amostra indicam que a poplarização entre Chavistas e não Chavistas permanece no país e não surge o que possa ser uma terceiira força política ou eleitoral como ele.

A auto-identificação política dos entrevistados seria de 48% opositores, Chavistas 39% e 13% de indecisos. O perfil deste último corresponde em grande parte a Chavistas decepcionados que estão "olhando" para a oposição. Quando foi pedido para identificar a sua situação pessoal, com uma palavra, cerca de 30% dos chavistas usaram palavras negativas, indicando que os simpatizantes de Chávez passaram da  "tristeza", após a morte de seu líder a um estado da "inconformidade" atual. Apenas 18% do total, disse que estava "feliz", porque o país está se movendo em direção ao "socialismo".

Os indicadores de popularidade de Maduro são excepcionalmente baixos entre os que se intitulam Chavistas. Apenas 13,5% dos entrevistados acreditam que o governo está no  "bom caminho" e este número cai abaixo dos 10% em alguns estados. Os níveis de rejeição de Nicolas Maduro e do co-governante Diosdado Cabello estão acima de 60%, rejeição substancialmente maior do que qualquer das principais figuras da oposição.

A fome, a escassez de alimentos, as filas para compras se tornaram questões prioritárias para os venezuelanos e apenas 40% dos entrevistados aceita a explicação de "guerra econômica" alegada pela Maduro.

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"O poder militar na Venezuela está bem trabalhado". A sentença foi emitida em uma entrevista com o chileno Pablo Sepulveda Salvador Allende, publicada em 17FEV15,  pelo canal estatal russo RT. Sepúlveda, que fazia parte do grupo próximo de Hugo Chávez por causa de seu noivado com Maria Gabriela Chávez falou longamente sobre a possibilidade de um golpe militar contra o governo de Nicolas Maduro. "Eu não acho que a Venezuela pode ter um golpe de Estado, como no Chile porque o poder militar apoia o Governo" e é "bem trabalhado", observou a favorável agência RT ao regime venezuelano. Sepúlveda, que nasceu no México, em 1976, teve formação médica e política em Cuba e agora é um operador intermacional castrochavismo.

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José Pepe Mujica não se mostra tão confiante como o neto de Allende. O presidente que encerou seu mandao no Uruguai fez uma espécie de posições no ranking do golpe que ele observou na Venezuela. Para o  aliado de Maduro, uma parte da oposição venezuelana identificado como "fascista" e de "direita" pelo castrochavismo, "quer dar um golpe para Maduro ir embora." Essa é a tese de que o regime venezuelano tem propagado fortemente nos últimos dias. Mas Mujica abriu uma nova hipótese. Em sua entrevista ao El Pais, 28FEV15, Montevidéu, Mujica disse que "o problema que a Venezuela pode ter é que podemos ter pela frente um golpe militar, que abandonou a defesa democrática e está indo para o inferno". Ou seja, no meio do militarismo chavista emana uma ação de golpe sem ser claro se seria uma tentativa de depor Maduro ou reforçar a presidência sob novas regras.

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Em seu último discurso de rádio como presidente, 27FEB15, Pepe Mujica novamente falou sobre Venezuela referindo-se à repressão contra os opositores executados por sequidores de Maduro: "Na medida em que exerce um certo grau de repressão inevitavelmente comete erros. E, principalmente, no campo internacional uma imagem que não ajuda "afirmou  Mujica. Em última análise retratou a reação de troca de governos da região para o regime venezuelano. Reiteradas denúncias de golpes, planos de atentados e intervenções EUA, trazem cada vez menos impacto sobre as chancelarias importantes do continente.

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O governo venezuelano estaria desinteressado na visita a Caracas de uma comissão da UNASUL. Desesperado. Nicolas Maduro chamou, em  04FEV15, oseus colegas sul-americanos para virem em seu auxílio, antes às suas alegações de intervencionismo dos EUA e planos de motins, podem ter ido baixo na medida em que os governos vizinhos não forneceram solidariedade automática a Maduro em sua linha de repressão da oposição. Três eventos minaram a solidariedade à Maduro no nível internacional: a ameaça de proibir os partidos políticos proferida em 25FEV15; encarceramento  e duvidosas acusações de golpe do prefeito social-democrata Antonio Ledezma, ocorrida em 19FEV15 e o assassinato de um menino de 14 anos, chamado Ferney Kluivert Roa, nas mãos de funcionários da Polícia Nacional Bolivariana na cidade de San Cristobal, 24FEV15.

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Em  09FEV15, numa reunião convocada em Montevidéu o Secretário Executivo da UNASUL, o colombiano Ernesto Samper Pizano, e os ministros das Relações Exteriores do Brasil, Equador e Venezuela, com notável ausência do ministro das Relações Exteriores da Colômbia Venezuela estendeu um convite à Comissão da UNASUL viajar a Caracas o mais rapidamente possível. Samper twittou naquele dia: "reunião bem-sucedida de Ministros dos Negócios Estrangeiros da Comissão: canais de busca de comunicação com o governo que nusca incentivar o diálogo direto", enquanto UNASULl relatou uma reunião, com os  12 ministros das Relações Exteriores, para discutir a situação da Venezuela.

Três semanas depois de a Comissão dos três ministros das Relações Exteriores da UNASUL não visitou Caracas. Em 20FEV15, o Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, que ocupa a presidência da UNASUL, emitiu um comunicado se desculpando: "O Uruguai está  fazendo todos os arranjos necessários para integrada pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil, Colômbia e Equador, que viajem com a Comissão em breve a Caracas para encontrar-se com o presidente Nicolas Maduro [...] Uruguai continua a avaliar a evolução dos acontecimentos no contexto destas ações ". Naquele mesmo dia, em Quito, Samper emitiu a sua própria declaração dizendo que ele também tenta organizar uma agenda viagem para os ministros das Relações Exteriores da UNASULl para Caracas e disse que "a próxima visita de chanceleres pode ser muito útil, a fim de contribuir para despolarização do ambiente político. "

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Maduro inicialmente esperava que a agenda dos ministros das Relações Exteriores da UNASUL em Caracas limita-se a conversações com o governo, mas mesmo Samper um castrochavistas deu a entender  que a comissão deve atender não só Maduro, mas com grupos de oposição, para que o regime nega Fontes dos governos do Brasil e da Colômbia comentam sobre o relatório que os seus ministros das Relações Exteriores não concordam em uma viagem para Caracas, Venezuela, sem receber um convite de uma agenda detalhada que inclui reuniões com os porta-vozes da oposição. Esta posição está sendo apoiada pelos governos do Peru e do Chile, que consideram que o papel da UNASUL é promover um diálogo entre o Governo e a Oposição e não validar posições de Maduro. Uma alta fonte da Unidade Democrática Roundtable, a aliança da oposição venezuelana, disse à 27FEV15 este relatório não foi consultado sobre uma possível reunião com emissários dos ministros das Relações Exteriores da UNASUL. Parece que, por agora, Maduro prefere adiar a presença incômoda de chanceleres estrangeiros.

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O governo de Dilma Rousseff alterou sua posição ante ao governo Maduro que deixou de incluir, pelo menos, em declarações, a solidariedade automática prevista por Lula da Silva. A diplomacia do regime venezuelano tem procurado nos últimos dias, os governos da região, que falem individual e coletivamente contra supostos planos de golpes militares na Venezuela. Em gesto óbvio de satisfazer os pedidos de Maduro, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um comunicado, 24FEV15, no qual  um possível golpe não foi mencionado, mas disse que estava preocupado com "iniciativas para encurtar o mandato presidencial." Mas também expressou preocupação com "medidas que afetam diretamente os partidos políticos e os representantes democraticamente eleitos".

Falando da Venezuela, na Câmara dos Deputados do Brasil, houve uma ruptura aberta entre o PMDB (partido aliado de Rousseff) e alinhado com o governo. Apesar das tentativas contra do PT e do Partido Comunista  do Brasil (PCdoB), em 25FEV15 com uma confortável maioria de deputados foi aprovada uma moção pelo líder da  oposição, o Tucano Bruno Araújo, repudiando o governo Maduro para "fracasso dos princípios democráticos ".

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Na sede do Ministério das Relações Exteriores do Equador foi realizada na tarde de 26FEV15, um ato político "em apoio da Venezuela". O evento foi conduzido pelo ministro das Relações Exteriores equatoriano Ricardo Patiño e outros ministros do governo de Rafael Correa e de Carol Delgado, embaixador do governo Maduro em Quito; a ativista  venezuelana chamada Desirée Cabrera, que representa uma agência de propaganda pró-governo chamado de "o Comitê de Vítimas de Guarimba e o Golpe Continuado". O papel de Patiño, como parte da comissão de chanceleres da UNASUL, a Venezuela estava em dúvida depois de uma cerimônia oficialmente promovido para atacar a oposição democrática venezuelana