23 de Fevereiro, 2015 - 09:30 ( Brasília )

Geopolítica

Chefe do Pentágono cogita mudança na retirada de tropas americanas do Afeganistão

Revisão de planos pode reconfigurar prazos para militares deixarem o país, e também não descarta que eles permaneçam para além de 2016. Novo governo afegão e operações de contraterrorismo estão entre motivos da revisão estratégica

Por Jon Harper – Texto do Stars and Stripes
Tradução, adaptação e edição – Nicholle Murmel

 

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Ash Carter, declarou neste sábado (21) que o governo Obama pode desacelerar o ritmo da saída das tropas no Afeganistão.
 
Durante uma coletiva de imprensa junto com o president afegãoo, Ashraf Ghani, no palácio presidencial em Cabul, Carter disse que o presidente Barack Obama está considerando “várias opções” para reforçar o apoio americano às Forças de Segurança Nacionais Afegãs (ANSF na sigla em inglês).
 
As tropas estadunidenses estão treinando, aconselhando e prestando assistência às ANSF e também conduzindo operações de combate ao terrorismo. Mas os planos atuais determinam que o contingente de 10 militares diminua pela metade até o fim deste ano. Até o fim de 2016, a presença americana no Afeganistão deve se limitar apenas a uma embaixada.
 
Carter comentou que uma das opções é alterar as datas para a retirada do contingente. Outra ideia seria alterar quando e em que ordem bases seriam fechadas. Essas medidas em potencial teriam como finalidade “garantir que temos o repertório de capacidades adequado para apoiar nossos parceiros afegãos e a presença necessária de forças e proteção para nosso pessoal que permanecer no país”, disse o secretário.
 
O general do Exército americano John Campbell, comandante de todas as tropas internacionais no Afeganistão, disse aos repórteres reunidos em seu gabinete em Cabul na noite de sábado que estudou várias alternativas, mas não as discutiria em detalhes.
 
Campbell foi perguntado se tanto o governo Obama quando o governo afegão consideravam  possibilidade de deixar um número considerável de militares no país para além de 2016. “Acho que no fim isso pode fazer parte da revisão [dos planos]”, respondeu. “Mas acho que, no momento, estamos confortáveis com a perspectiva de 2015 e 2016”.
 
Durante a coletiva, o president Ashraf Ghani disse que palenja discutir tipos de tropas e outras questões de seguranças quando se encontrar com Obama mês que vem em Washington.
 
Apesar de a retirada das forças poder ser atrasada, o general Campbell disse que não espera que o número de militares aumente em relação ao contingente atual.
“Não vejo um aumento nos números”, disse o comandante aos jornalistas. “Um comandante gostaria de mais tropas? Nós sempre queremos mais tropas. Mas estou sob as orientaçãos do presidente Obama enão vejo o número [de militares] aumentando. Vejo-nos pegando o que temos e fazendo o melhor possível com isso”. O general disse que mudar o timing, a ordem de fechamento, as autoridades e os “viabilizadores” são formas de empregar melhor as forças disponíveis.
 
Na reunião no úmtimo sábado, Ash Carter e o president Ashraf Ghani falaram também sobre o futuro das operações de contraterrorismo conduzidas pelos EUA no Afeganistão. “Acredito que seja mais seguro dizer que… contraterrorismo será uma preocupação constante e um compromisso nosso aqui... e estamos discutindo e repensando os detalhes das missões dessa natureza e como o ambiente mudou por aqui no que se refere ao terrorismo desde que estabelecemos nossos planos inicialmente”, declarou Carter.
 
O chefe do Pentágono não especificou quais alterações podem acontecer nas missões de contraterrorismo. Mas uma autoridade ligada ao setor de defesa americano, que preferiu não se identificar, disse a repórteres que as operações “serão um grande tópico de discussão quando Ghani visitar Washington”, incluíndo se serão ou não necessários ajustes à presença militar internacional e aos tipos de missões anti-terror que nossos soldados conduzem”.
 
A fonte disse ainda que é possível que o tamanho do contingente de combate ao terrorismo no Afeganistão “pode não diminuir, ou ao menos não diminuir tão rápido” quanto o planejado. Um dos grandes motivos pelos quais o presidente Obama está disposto a rever o cronograma da presença militar no país – estabelecidos em maio do ano passado – é a própri eleição de Ghani e a saída do ex-presidente Hamid Karzai. O antigo governante frequentemente criticava os Estados Unidos e seus parceiros internacionais, e era desconfiava da presença dos soldados no país. O ex-líder também tentou limitar as atividades da coalizão e proibiu patrulhas durante a noite.
 
Já Ghani abraçou a relação military com os EUA. Logo após tomar posse em setembro do ano passado, ele suspendeu a proibição das patrulhas noturnas e assinou um acordo bilateral de segurança com Washington. O novo presidente também nomeou seu rival político, Abdullah Abdullah, para um posto elevado em seu governo.
 
O fator mais importante que influencia nosso pensamento é a mudança representada pela unidade no governo entre o presidente Ghani e o Dr. Abdullah, e o que isso significa para a promessa de certeza, previsibilidade e progresso que, até alguns meses atrás, não podíamos conjecturar”, explicou Ash Carter.
 
O general Campbell disse em sua coletiva que a diferença entre a relação militar dos EUA com o antigo karzai e o atual Ghani é “como da noite para o dia”.
 
A marcha dos membros do grupo  Estado islâmico sobre o Exército iraquiano após a desocupação americana do Iraque gerou preocupações em Washington de que algo parecido pudesse acontecer no Afeganistão se a retirada dos militares fosse rápido demais. O público não quer ver os progressos em solo afegão serem desperdiçados depois de sangue americano ter sido derramado. Mais de 2.300 militares morreram no país desde 2001, e outros 20 mil foram feridos.
 
“Nossa prioridade agora é garantir que esse progresso continue”, declarou Carter. “Hoje nos lembramos de todos os homens e mulheres... que pagaram o preço mais alto para que o progresso do Afeganistão fosse possível... Nós honramos essas pessoas ao nos certificarmos de que a parceria entre Estagos Unidos e Afeganistão é forte e duradoura”.