11 de Fevereiro, 2015 - 09:00 ( Brasília )

Geopolítica

Obama confirma morte de refém americana do EI

Voluntária da ajuda humanitária foi raptada em 2013 na Síria. Segundo "Estado Islâmico", ela morreu quando prédio em que estava foi bombardeado por aviões da Jordânia.

Com informações da BBC Brasil e Deutsche Welle

 
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, confirmou nesta terça-feira (10/02) a morte da americana Kayla Mueller, que era mantida refém pelo grupo extremista "Estado Islâmico" (EI). Obama assegurou que os EUA vão "encontrar e levar à justiça os terroristas responsáveis pelo cativeiro e pela morte de Kayla".
 
"É com grande tristeza que tivemos conhecimento da morte de Kayla Jean Mueller", escreveu Obama em comunicado.
 
Mueller, de 26 anos, era voluntária da ajuda humanitária e foi raptada pelo grupo terrorista islâmico em 2013 em Aleppo, na Síria. Ela era voluntária de uma ONG do Arizona e seria a última refém americana em poder do EI. Porém, a Casa Branca disse que mais um americano é mantido refém por extremistas no Oriente Médio.
 
A família dela também confirmou a morte. Em nota, os familiares disseram estar "devastados" e com o coração partido. "Ela dedicou a sua curta vida a ajudar aqueles que precisavam de liberdade, justiça e paz", afirmaram.
 
Prova enviada por e-mail
 
Os terroristas do "Estado Islâmico" anunciaram na última sexta-feira que Mueller havia sido morta durante um ataque aéreo da coligação internacional, conduzido por forças de segurança jordanianas em Raqa, no norte da Síria. Segundo o EI, a jovem morreu quando um bombardeio atingiu o prédio onde ela era mantida refém.
 
De acordo com a Casa Branca, uma mensagem do "Estado Islâmico" enviada à família de Mueller com "informações adicionais" permitiu confirmar a morte. Autoridades americanas disseram que os familiares receberam um e-mail e uma fotografia que asseguravam o falecimento da jovem.
 
"Uma vez que essa informação foi autenticada pela inteligência, eles concluíram que Kayla havia falecido", disse a porta-voz do Conselho Nacional de Segurança, Bernadette Meehan.

'A esperança do reencontro é a fonte da minha força'

"Pensar na dor de vocês é a fonte da minha própria dor, simultaneamente, a esperança do nosso reencontro é a fonte da minha força".É assim que Kayla Muellertermina a única carta enviada à sua família do cativeiro em 2014.

A família de Kayla disse estar "de coração partido" ao saber da notícia e divulgou uma carta que a voluntária escreveu durante o tempo em que permaneceu em cativeiro.

Falando sobre a morte da americana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que ela "representa o que há de melhor no país".

"Nossos corações estão partidos pela morte de nossa única filha, e nós nos manteremos em paz, dignidade e amor por ela", afirmou a família da Kayla por meio de um comunicado.

Na carta, escrita em 2014, Kayla tenta acalmar sua família, dizendo que ela havia sido tratada com "maior respeito e bondade".

"Eu só pude escrever um parágrafo por vez, só o pensamento de todos vocês me faz debulhar em lágrimas".

"Sei que vocês gostariam que eu permanecesse forte. É exatamente o que eu estou fazendo".

Legado

"Ela foi levada de nós, mas o seu legado perdura, inspirando todos aqueles que lutam, cada um a sua maneira, pelo que é justo e pelo que é decente", afirmou Obama por meio de uma nota.

"Não importa quanto tempo demorar, os Estados Unidos vão descobrir e levar à Justiça os terroristas que são responsáveis pelo sequestro e morte de Kayla".

Nem a Casa Branca nem a família da americana mencionaram as circunstâncias por trás de sua morte.
Kayla foi a última refém americana a ter sido mantida refém pelo Estado Islâmico. Os outros três ? os jornalistas James Foley, Steven Sotloff, e o agente humanitário Peter Kassig ? foram decapitados pelo grupo.

A versão de que Kayla teria morrido durante um ataque aéreo realizado pela Jordânia foi negada por autoridades do país.

Kayla trabalhou em várias organizações humanitárias tanto nos Estados Unidos quanto no exterior.
Ela viajou para a fronteira da Turquia e da Síria em 2012 para trabalhar com refugiados.