02 de Fevereiro, 2015 - 08:10 ( Brasília )

Geopolítica

Líderes mundiais condenam decapitação de jornalista japonês

Alemanha, Japão, EUA, França e Reino Unido protestam contra execução do segundo refém japonês pelo "Estado Islâmico". Governo da Jordânia se diz preocupado com destino de piloto do país, capturado pelos jihadistas.

Washington, Paris e Londres condenaram veementemente neste domingo (01/02) a execução do jornalista japonês Kenji Goto, de 47 anos, pelo grupo extremista "Estado Islâmico" (EI). O governo da Jordânia expressou preocupação pelo destino do piloto do país capturado pelos jihadistas.
 
"Os Estados Unidos condenam a morte hedionda do cidadão e jornalista japonês Kenji Goto pelo grupo terrorista EI", declarou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em comunicado, manifestando sua solidariedade ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, ao povo japonês.
 
O grupo radical EI divulgou neste sábado um vídeo em que mostra a decapitação de Goto, correspondente de guerra capturado na Síria em outubro, o segundo refém japonês executado no intervalo de uma semana.
 
"EI é personificação do mal"
 
O presidente francês, François Hollande, também expressou sua solidariedade em relação ao Japão, realçando que Paris e Tóquio vão continuar a trabalhar juntos pela paz no Oriente Médio e para eliminar os grupos terroristas, após condenar o "brutal assassinato", segundo um comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu.
 
Londres classificou o ato como "horrendo". "Condeno veementemente aquilo que parece ser o assassinato desprezível e horrendo de Kenji Goto", afirmou o primeiro-ministro britânico, David Cameron, também citado num comunicado oficial. "Trata-se de um novo lembrete de que o EI é a personificação do mal, sem respeito pela vida humana", afirmou David Cameron.
 
A chanceler federal alemã, Angela Merkel, chamou o assassinato de ato "horrendo e inumano".
 
Em nota divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro também lamentou e condenou o assassinato.
"O terrorismo e a violência política são fenômenos que a sociedade brasileira rejeita de forma categórica, qualquer que seja sua motivação", trouxe a nota, que expressando ainda solidariedade à família da vítima, ao governo e ao povo do Japão.
 
Indignação em Tóquio
 
Antes, na primeira reação ao anúncio, o primeiro-ministro japonês afirmou estar "muito indignado" e prometeu que não se irá se curvar diante do terrorismo. "É um ato de terrorismo desprezível, horrível, em relação ao qual estou muito indignado", disse aos jornalistas Shinzo Abe, visivelmente emocionado, acrescentando que o Japão não abdicará de lutar contra um "terrorismo inaceitável".
 
Depois de múltiplas mensagens ameaçando executar os reféns nos últimos dias, o EI divulgou, neste sábado, um vídeo com a decapitação de Kenji Goto. As imagens mostram o jornalista ajoelhado, vestido com camisa cor de laranja, enquanto um homem encapuzado, de pé, atrás dele, empunha uma faca e responsabiliza o governo japonês pela morte do refém, falando em inglês com sotaque britânico. O vídeo termina com a imagem de um corpo deitado, com a cabeça separada.
 
Na semana passada, os jihadistas anunciaram que tinham executado um outro refém japonês, Haruna Yukawa, que fora sequestrado em meados de agosto do ano passado, quando alegadamente dava apoio logístico a um grupo rebelde implicado na guerra civil síria e rival do EI.
 
“Jordânia fará tudo para salvar piloto”
 
O novo vídeo do EI não faz qualquer menção ao piloto jordaniano Mu'ath al-Kaseasbeh, capturado pelo EI em 24 de dezembro depois de seu avião, um F-16 da Força Aérea da Jordânia, ter caído na região de Raqqa, no norte da Síria.
 
O governo da Jordânia afirmou que está determinado a fazer tudo para salvar a vida do piloto Mu'ath al-Kaseasbeh e condenou "veementemente" a execução de Goto. O país árabe "fará tudo para salvar e libertar o seu piloto", assegurou o porta-voz do governo, Mohammed al-Momeni, citado pela agência oficial jordaniana Petra.
 
Os terroristas ameaçam executar o piloto se Amã não libertar uma terrorista iraquiana que está presa naquele país.