04 de Julho, 2011 - 11:51 ( Brasília )

Geopolítica

Ao voltar a Caracas, Chávez diz que viveu 'dias difíceis'

Ao retornar à Venezuela, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse ter vivido "dias difíceis" em Cuba, onde ficou por quase um mês depois de ser submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor cancerígeno.

Claudia Jardim

"Foram dias difíceis, mas, graças a Deus e à ciência, foi aberto o caminho para que continuasse aqui", disse Chávez, em entrevista por telefone à TV estatal venezuelana.

Chávez afirmou que continuará recebendo tratamento médico "muito estrito", com remédios, alimentação balanceada e descanso.

Até adoecer, Chávez era visto no país como incansável, mantendo uma rotina pouco saudável, com uma má alimentação e poucas horas de sono. Agora, a palavra "descansar" passou a ser incorporada em seu vocabulário.

"Acabo de aprovar as atividades que realizarei nos próximos dias, mas primeiro o descanso para receber o povo venezuelano na Sacada do Povo", afirmou. A Sacada do Povo (Balcón del Pueblo, em espanhol), na sede do governo, é o lugar de encontro do presidente com a população para celebrar vitórias.

Chávez disse não ter certeza se poderá presidir as comemorações do bicentenário da Independência, nesta terça-feira, mas que acompanhará os desfiles em seu "posto de comando" no Palácio de Miraflores. "Até o retorno sempre, venceremos!", disse.

Retorno

Em seu perfil no serviço de microblogging Twitter, Chávez escreveu: "Pois aqui estou, em casa e muito feliz! Bom dia minha Venezuela amada! Bom dia povo amado! Graças a Deus! É o início do retorno!".

O vice-presidente venezuelano, Elias Jaua, informou que o presidente aterrissou no país pouco depois das 2h pelo horário local (3h30 em Brasília).

Em Havana, Chávez foi acompanhado pelo presidente Raúl Castro até o aeroporto. Ao retornar à Venezuela, o aguardavam Jaua, o chanceler do país, Nicolás Maduro, o ministro de Defesa, Mata Figueroa, e o irmão do presidente, Adán Chávez.

"Quase que Fidel e Raúl sobem no avião também", brincou, ao chegar. "Estamos na mesma pátria, estar em Havana ou em Caracas é a mesma pátria grande. Estou feliz", disse o presidente em um vídeo transmitido na manhã desta segunda-feira pela TV estatal.

Crise

No dia 30 de junho, Chávez anunciou ter sido submetido a uma cirurgia em Cuba para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica. Ele estava em recuperação em Havana desde o dia 10, quando teve que ser submetido à primeira cirurgia para remoção de um abscesso pélvico.

Dias depois, quando foi diagnosticado o câncer, foi feita uma segunda intervenção para extrair um tumor.

"O tumor foi detectado a tempo e foi retirado por completo. Foi iniciado um processo quase milagroso, ascendente, de recuperação física, de sua força, de sua saúde", disse Maduro, em uma entrevista a uma TV local no domingo.

Em vídeos gravados em Havana, Chávez disse que Fidel salvou sua vida. "Se não fosse por Fidel, quem sabe onde e em qual labirinto eu estaria hoje", afirmou.

No domingo, Fidel advertiu em sua coluna que os inimigos do líder venezuelano teriam uma surpresa. "Agora os inimigos externos e internos de Hugo Chávez estão a mercê de suas palavras e iniciativas. Haverá sem dúvidas, surpresas para eles", escreveu Fidel. Foi ele quem deu a notícia a Chávez que estava com câncer.

O estado de saúde do presidente surpreendeu a Venezuela e manteve um clima de preocupação, tanto entre seus simpatizantes, como opositores, sobre o futuro político do país. O governo afirma que ele continua sendo o "candidato da revolução" nas eleições presidenciais de 2012.

Chávez disse que esse é o "início do retorno", o que indica que não assumirá, pelo menos por enquanto, a integralidade de suas atividades no governo, que implica, entre outras responsabilidades, atos públicos quase que diários.

A tendência é que o vice-presidente, que está a frente do governo desde que ele adoeceu, continue assumindo a tarefa de "coordenador" do governo presidido por Chávez.