18 de Outubro, 2014 - 11:55 ( Brasília )

Geopolítica

Encontro entre Putin e Poroshenko em Milão traz poucos avanços

Drones poderão fazer monitoramento da fronteira entre Rússia e Ucrânia, mas presidentes dos dois países prosseguem em impasse no tocante aos conflitos na região.

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Ucrânia, Petro Poroshenko, começaram a discutir a possibilidade de que drones passem a monitorar a fronteira entre os seus países. A informação foi dada pelo primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, ao fim da cúpula que reuniu representantes de mais de 50 países europeus e asiáticos em Milão nesta sexta-feira (17/10).

Ainda não se chegou, porém, a um consenso para colocar fim aos conflitos entre separatistas pró-Rússia e tropas ucranianas no leste do país, que se arrastam há seis meses. Tampouco há sinais de que Putin e Poroshenko chegarão a um acordo, seja para reforçar o cessar-fogo na região, seja para colocar fim ao bloqueio no fornecimento de gás russo ao país vizinho.

"Não consigo ver nenhum avanço aqui até agora", comentou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, que também se encontra em Milão. Assim como o presidente francês, François Hollande, ela participa das reuniões entre Putin e Poroshenko, na tentativa de destravar os impasses.

"Vamos continuar as conversas. Houve progressos em alguns detalhes, mas a questão principal são as continuadas violações à integridade territorial da Ucrânia", disse Merkel, que se encontrara com Putin na noite anterior. Segundo a imprensa, a chefe de governo havia se mostrado desapontada com a falta de "ânimo construtivo" do russo.

Ao sair do encontro na manhã desta sexta-feira, Putin classificara as conversas como "positivas". Em seguida, porém, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, comentou que "certos participantes" haviam tomado uma postura "completamente não neutra, não flexível e não diplomática" em relação à Ucrânia.

A terceira rodada de negociações, no fim do dia, terá a mediação dos presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. Eles pretendem já preparar o terreno para um possível acordo entre Moscou e Kiev sobre o fornecimento do gás, na semana que vem, quando os dois países do Leste voltam à mesa de negociações, dessa vez em Bruxelas.

Choque na fronteira

O monitoramento da fronteira entre Rússia e Ucrânia constitui um ponto decisivo no processo de paz na região. Países do Leste Europeu acusam os russos de oferecer treinamento e enviar combatentes para o leste ucraniano – onde, apesar do acordo de cessar-fogo acertado em setembro, confrontos sangrentos continuam ocorrendo em algumas áreas. A Rússia, porém, nega as acusações.

A fim de aumentar a pressão sobre o Kremlin, a UE e os Estados Unidos vêm impondo sanções contra os russos. Em março último, a Rússia anexou a península da Crimeia, até então parte do território ucraniano. Em resposta às sanções ocidentais, Putin decretou medidas econômicas contra o Ocidente.

A crise levou, ainda, a Rússia a suspender o fornecimento de gás para a Ucrânia, alegando dívidas do país. A UE teme que a medida possa levar a interrupções no abastecimento em toda a Europa durante o inverno. O gás russo atende cerca de um terço da demanda no continente europeu, e cerca de metade dele passa pelos gasodutos ucranianos.