15 de Setembro, 2014 - 11:25 ( Brasília )

Geopolítica

Manobra de soldados de países da OTAN no oeste ucraniano irrita a Rússia

Soldados de países da Otan iniciam na segunda-feira manobra no oeste ucraniano. Moscou considera a operação uma ameaça à trégua acordada em Minsk. Ucrânia quer usar drones para controlar cumprimento de cessar-fogo.

Apesar de a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) excluir a entrada da Ucrânia na aliança, os EUA e outros países-membros da Otan iniciam nesta segunda-feira (15/09) uma grande manobra militar no oeste da Ucrânia.

As Forças Armadas alemãs também irão participar da operação com alguns soldados. A manobra, envolvendo um total de 1.300 soldados de 15 países, irá acontecer a 1.200 quilômetros da região de conflito Donbas.

A Rússia, por sua vez, considera a presença de soldados de países-membros da Otan na Ucrânia como uma grande provocação e uma ameaça à trégua assinada entre o governo em Kiev e rebeldes separatistas pró-russos em Minsk, capital de Belarus, em 5 de setembro.

Novos ataques verbais

A aproximação da Ucrânia com a Otan provocou novas agressões verbais entre Moscou e Kiev. O ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, advertiu a Ucrânia sobre os novos esforços para a entrada de Kiev na OTAN. A neutralidade do país seria uma "questão fundamental", afirmou o ministro na TV russa.

Na ocasião, Lavrov declarou que o status de um país neutro seria não somente de interesse da própria Ucrânia, mas também um interesse justo dos países vizinhos e, além disso, serviria à segurança na Europa.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, que se esforça por uma adesão de seu país à Otan, declarou que, apesar do cessar-fogo, a Ucrânia continua em guerra com a Rússia. Nesse contexto, Moscou seria o "agressor". O premiê afirmou, também, que o presidente russo, Vladimir Putin, não quer conquistar somente Donetsk e Lugansk, mas também toda a Ucrânia.

"Nessa situação, somente a Otan pode nos proteger", disse Yatsenyuk em conferência com parlamentares e empresários da Ucrânia e União Europeia.

Drones para monitorar cessar-fogo

Enquanto isso, o presidente ucraniano, Petro Peroshenko, aprovou a utilização de drones na zona de conflito, informou o seu gabinete em Kiev, após um telefonema do chefe de Estado com o presidente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Didier Burkhalter, neste sábado.

Por conseguinte, Burkhalter afirmou que a OSCE vai, em breve, empregar aeronaves não tripuladas. Poroshenko e o chefe da OSCE conversaram, além disso, sobre um aumento do número de equipes de observadores no leste ucraniano.

Já há uma semana, o cessar-fogo vem sendo violado maciçamente na região de Donetsk. Neste domingo (14/09), o governo ucraniano acusou os separatistas pró-russos de desrespeitar o cessar-fogo no leste do país e comprometer o processo de paz. "Os ataques terroristas ameaçam a implantação do plano de paz do presidente ucraniano", disse o porta-voz militar Volodymyr Poliovy.

Neste fim de semana, foram relatados novos combates em torno do estratégico aeroporto de Donetsk. Segundo repórteres da agência de notícias AFP, houve disparos de artilharia. Moradores reportaram o bombardeio de três bairros de Donetsk. Também em vilarejos vizinhos, o cessar-fogo foi interrompido por ruídos de combates.

CA/dpa/afp/rtr