15 de Setembro, 2014 - 11:15 ( Brasília )

Geopolítica

Armas da OTAN podem explodir trégua ucraniana


Natalia Kovalenko


A trégua na Ucrânia mantém-se já a segunda semana. Mas os especialistas são muito cautelosos em suas previsões. Até agora, de ambos os lados ouvem-se periodicamente tiros e explosões de obuses, pessoas estão morrendo.

Assim que não se pode falar de um cessar-fogo completo. São ainda mais alarmantes as declarações das autoridades de Kiev sobre fornecimentos de armas de países da OTAN à Ucrânia. Segundo o ministro da Defesa ucraniano, Valeri Geletei, esse processo já foi lançado.

Kiev está dividido. Numa mesa de negociações as autoridades ucranianas estão discutindo com parceiros estrangeiros e representantes do Sudeste meios para uma solução pacífica para o conflito, e em outra, ao mesmo tempo, estão fazendo planos militares. No fim de semana passado, o ministro da Defesa Valeri Geletei, falando numa estação de televisão local, informou que já começaram a chegar ao país armas de países membros da OTAN:

“Eu estive na cúpula da OTAN com o presidente da Ucrânia que fez tudo para que eu lá estivesse. Eu falei em formato fechado com os ministros da Defesa dos principais países, de países avançados, aqueles que nos podem ajudar. E eles ouviram-nos. Eu dizia “acudam!”. E o processo de transferência de armas começou. Estou certo de que este é o caminho a seguir”.

Esta não é a primeira vez que figuras ucranianas afirmam ter alcançado acordos com membros da Aliança do Atlântico Norte (OTAN) sobre fornecimentos de armas. A isso aludiu o presidente Piotr Poroshenko. Falou disso em detalhe o seu assessor, ex-ministro do Interior, Yuri Lutsenko. Os países da OTAN tentaram refutar essas alegações negando tanto a existência de acordos como o fato de que esta questão foi levantada de todo na cúpula no País de Gales (Reino Unido). Mas as autoridades ucranianas continuam a insistir que os acordos existem e já estão começando a ser implementados. E nessas palavras de Kiev não há nada de duvidoso, nota o analista político Igor Shishkin:

“Tendo em conta que o exército ucraniano sofreu grandes perdas no sudeste do país, não é possível restaurar a capacidade de combate das unidades apenas por meio de mobilização. São necessários novos equipamentos. As fábricas ucranianas não estão em condições de fornecer esses equipamentos depressa. Neste contexto, já foi relatado que a Ucrânia irá receber equipamentos soviéticos usados de antigos países do Pacto de Varsóvia (países socialistas da Europa do Leste).

Em particular, foi relatado que os Estados Unidos propuseram à Croácia enviar à Ucrânia helicópteros Mi-8 e receber em troca helicópteros usados norte-americanos. Por conseguinte, outros também podem adotar o mesmo esquema. Não se trata de equipamentos ocidentais modernos, porque então seria necessário treinar os militares de novo e arranjar outras munições. Trata-se de equipamentos soviéticos antigos, aos quais os militares na Ucrânia estão habituados e para os quais lá existe infraestrutura”.

Mas se estão armando a Ucrânia, então a atual trégua é muito precária, não confiável. Kiev concordou com ela quando a situação na frente mudou claramente, e não em seu favor. Mas não sabemos para que lado se inclinará a balança quando as posições militares de Kiev receberem reforços. Moscou prefere manter uma esperança cautelosamente otimista de que prevalecerá o bom senso e a honestidade das autoridades ucranianas e de seus patrocinadores ocidentais.

Mas todos se lembram como este ano a Ucrânia já violou suas próprias promessas, garantidas por assinaturas de políticos ocidentais. Não é de excluir que o mesmo destino espera o atual plano de paz. Mas não é só Kiev que o está transformando numa farsa, mas também os países da OTAN que falam de paz, mas com seus fornecimentos de armas estão abertamente preparando a Ucrânia para a guerra.