05 de Setembro, 2014 - 17:40 ( Brasília )

Geopolítica

OTAN aprova presença militar contínua no Leste Europeu

Diante da atual ameaça representada pela Rússia, líderes acertam criação de nova força de reação rápida e manutenção de tropas nos países orientais da aliança.

Os líderes da Otan aprovaram nesta sexta-feira (05/09), durante cúpula no País de Gales, a criação de chamada força de reação rápida e a manutenção de uma presença contínua no Leste Europeu, onde alguns países-membros estão preocupados com os movimentos russos na Ucrânia. A nova "ponta de lança", como também é chamada a força de reação rápida, deverá ser formada por milhares de soldados, prontos para entrar em ação em poucos dias.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou que a nova unidade enviará uma mensagem clara para potenciais agressores, como a Rússia. "Se você pensar em atacar um aliado, estará de frente com toda a aliança", declarou ele durante o encerrameno do encontro de dois dias.

Rasmussen disse que a força de reação rápida dará à Otan uma presença contínua nos territórios mais a leste da aliança, com os países membros contribuindo com tropas em base rotativa. Não houve definição de onde as forças vão ficar baseadas, mas Rasmussen disse que Polônia, Romênia e países bálticos manifestaram interesse em sediar as instalações.

Reino Unido quer contribuir com 3.500 soldados

O premiê britânico, David Cameron, disse que seu país está disposto a contribuir com 3.500 soldados para a força de resposta rápida. Ele afirmou que a sede pode ser na Polônia, com unidades avançadas nos países-membros mais orientais e equipamentos estocados lá com antecedência.

Os 28 líderes da Otan adotaram um Plano de Ação de Prontidão para reforçar a defesa coletiva. "Esta é uma demonstração da nossa solidariedade e nossa determinação", disse Rasmussen.

A Otan já tem tropas rotativas nos Estados-membros mais recentes, como a Polônia e os países bálticos, os quais estiveram sob a esfera de influência de Moscou e que agora pediram ajuda diante do comportamento da Rússia em relação à Ucrânia.

As relações da Otan com a Rússia são baseadas no chamado Ato Fundador entre a Otan e a Rússia de 1997, que fixa as fronteiras pós-Guerra Fria na Europa Oriental e proíbe ambas as partes de estacionar suas tropas lá permanentemente. O texto também determina que essas fronteiras não podem ser mudadas pela força.

A Otan e Rasmussen acusaram repetidamente a intervenção da Rússia na Ucrânia de representar uma violação desse tratado que a aliança, por seu lado, afirma continuar a respeitar. Houve especulações de que a Otan revogaria o Ato Fundador. Mas países como a Alemanha são contra por considerarem que as consequências podem ser graves e piorar a incerteza na região.

A Otan já tem uma força de reação rápida, mas esta nunca foi ativada e precisa atualmente de semanas para entrar em operação, segundo analistas.

"Otan está pronta para ajudar o Iraque"

Rasmussen também garantiu que a Otan está pronta para ajudar o Iraque a lutar contra os jihadistas do "Estado Islâmico" (EI), mas observou que o governo iraquiano não fez qualquer pedido nesse sentido. O secretário-geral afirmou também ser improvável que a Otan participe de ações militares contra os extremistas, mas disse ser possível que a aliança se engaje numa "missão de capacitação defensiva".

O presidente dos EUA, Barack Obama, e o premiê britânico, David Cameron, têm pressionado os seus homólogos da Otan para participar de uma coalizão de nações para combater o EI.

À margem da cúpula, eles se reuniram com os demais líderes para tentar obter apoio para o combate ao grupo radical através de poderio militar, esforços diplomáticos e sanções econômicas. Ambos os líderes agendaram, ainda, reuniões nesta sexta-feira com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, um parceiro regional importante, cujo apoio pode ser fundamental.