03 de Setembro, 2014 - 16:00 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia ameaça adaptar atividade militar ao reforço da OTAN


A crise na Ucrânia cristaliza as tensões na Europa. A Rússia declarou nesta terça-feira (2) que vai “adaptar sua doutrina militar” ao reforço da OTAN. A aliança militar ocidental planeja reforçar sua presença no leste do continente em resposta à intervenção russa na crise ucraniana.

O reforço das tropas da OTAN, chamado de “plano de reatividade” deve ser adotado na cúpula da entidade que acontece nas próximas quinta (4) e sexta-feira (5), na Grã-Bretanha. Alguns integrantes da Aliança Atlântica, vizinhos da Ucrânia, como Polônia, Romênia, Bulgária e países do Báltico, consideram a atitude da Rússia na crise ucraniana como uma ameaça concreta.

Nesse contexto, Barack Obama desembarca na quarta-feira (3) na Estônia, ex-república soviética. O presidente americano quer advertir Vladimir Putin para os riscos de uma intervenção em um país da OTAN.

Dificuldades do exército ucraniano

Em um discurso na Academia Militar de Kiev, o presidente ucraniano, Petro Porochenko, disse nesta terça-feira (3) que as dificuldades enfrentadas por suas tropas, nos últimos dias, se devem à ajuda direta da Rússia aos separatistas.

Ontem, o exército ucraniano cedeu aos separatistas o controle do aeroporto de Lugansk, incapaz de fazer face a um "batalhão de tanques russos". Kiev divulgou imagens de satélite para provar o apoio militar de Moscou aos separatistas. Nas últimas 24 horas, 24 soldados ucranianos morreram nos combates na região de Donetsk.

Rússia tomaria Kiev em 2 semanas

A tensão aumentou nas últimas horas com a ameaça feita por Vladimir Putin de que ele poderia tomar Kiev em duas semanas, segundo relatou à imprensa o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Hoje, o Kremlin tentou minimizar o impacto dessa declaração. O assessor do governo russo para questões internacionais, Yuri Uchakov, afirmou que se essa frase foi dita por Putin, ela foi "retirada de seu contexto e tinha um significado totalmente diferente".

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, descarta uma solução militar para o conflito na Ucrânia. A futura chefe da diplomacia europeia, a italiana Federica Mogherini, disse hoje que o bloco tomará uma decisão sobre novas sanções contra a Rússia até sexta-feira. O conflito no leste da Ucrânia já levou 260 mil pessoas a deixarem suas casas.

O "grupo de contato", que reúne representantes da Rússia, da Ucrânia, dos separatistas e membros da OSCE, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, segue reunido pelo segundo dia em Minsk, na Belarus. As discussões visam um cessar-fogo, mas poucas informações filtram das conversas.