29 de Agosto, 2014 - 17:25 ( Brasília )

Geopolítica

Otan acusa Rússia de invasão e pede fim de "ações militares ilegais" na Ucrânia

Rasmussen reitera que russos apoiam militarmente os separatistas no leste ucraniano e diz que as portas da Aliança Atlântica não estão fechadas para a Ucrânia.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, acusou a Rússia de invadir o território ucraniano e pediu ao país para que pare com "suas ações militares ilegais" na Ucrânia. A declaração foi feita em Bruxelas, nesta sexta-feira (29/08), após um encontro de emergênca da Otan para debater o acirramento da crise na Ucrânia.

O Ocidente acusa Moscou de intervir diretamente no conflito no leste ucraniano. Para Rasmussen, os recentes acontecimento não são uma ação isolada, mas parte de uma tentativa, que já dura meses, de desestabilizar a Ucrânia como nação soberana. Rasmussen ressaltou que a Otan não fechou suas portas para uma possível adesão da Ucrânia à aliança.

Nesta quinta, a Aliança Atlântica acusou a Rússia de ter ao menos mil soldados atuando em território ucraniano, ao lado dos separatistas pró-russos. Um oficial da Otan que não quis se identificar disse que a incursão das tropas russas representa "uma escalada significativa" no conflito. "Os soldados russos lutam junto com os separatistas e entre os separatistas", confirmou, observando, ainda, que o número mil constitui uma estimativa "muito conservadora".

Ele comentou, ainda, que nas últimas duas semanas a Otan vem percebendo um aumento nas atividades ao longo da fronteira russo-ucraniana. "Os russos aparentemente estão criando uma segunda frente para o Exército ucraniano. Isso está sendo muito eficaz para aliviar os separatistas", avaliou, dizendo, ainda, que o Exército ucraniano está tendo que lidar com "uma situação incômoda" do ponto de vista militar.
 

Imagens para comprovar invasão russa

Nesta quinta, a Otan divulgou imagens de satélite que supostamente mostram as tropas russas, mais bem equipadas, com veículos blindados, tanto na fronteira como dentro da Ucrânia. O general holandês Nico Tak disse aos jornalistas na sede da Otan em Mons, na Bélgica, que as tropas russas estavam se movimentando e, aparentemente, preparadas para uma operação prolongada e com equipamento altamente moderno.

Segundo ele, pelo menos mil soldados russos estariam lutando do lado dos separatistas e haveria mais 20 mil militares posicionados perto da fronteira da Rússia com a Ucrânia.

A Otan avalia que a Rússia quer provocar um conflito prolongado que, em seguida, desembocaria num chamado "conflito congelado", em que as tropas russas ocupariam território estrangeiro, mas não haveria mais combates agudos. A situação no leste da Ucrânia poderia, então, ser comparada à encontrada na Transnístria, uma faixa de terra ocupada pela Rússia na Moldávia, ou com a Ossétia do Sul e a Abkházia, na Geórgia.

A Otan não respondeu imediatamente às demandas da Ucrânia, que pediu à aliança que ajude o Exército ucraniano com equipamentos e armas. Entretanto, a aliança já está há tempos envolvida na formação e reestruturação das forças armadas ucranianas, no âmbito de programas de parceria.

Um diplomata da Otan disse em Bruxelas que "não há um papel para a Otan" no atual conflito, muito menos em se tratando de ações de combate.

Nova estratégia para a Rússia
 

Os líderes dos países-membros da Otan debaterão uma nova estratégia para a Rússia na cúpula da aliança na próxima semana em Newport, no Reino Unido. "A Rússia não é mais um parceiro, como antes, e deve ser vista como um adversário", comentou um diplomata.

O comandante supremo da Otan na Europa, general Philip Breedlove, já reiterou várias vezes que a Rússia é uma ameaça concreta para os membros da Otan nos países bálticos. Por isso, a aliança vai decidir na próxima semana sobre o reforço da sua presença nos Estados bálticos e a criação de novas bases.

Pedidos por novas sanções da UE

A resposta oficial da União Europeia, que fechou um tratado de associação com a Ucrânia, consistiu em apenas algumas frases da porta-voz da chefe de política externa do bloco, Catherine Ashton. "A UE apela para que a Rússia suspenda todas as hostilidades", disse o comunicado, se referindo aos movimentos e à passagem de equipamentos e soldados russos para o território da Ucrânia.

Os separatistas pró-russos confirmaram, de acordo com informações de agências de notícias, que russos lutaram ao seu lado, ressaltando que eles não seriam soldados regulares, mas voluntários que estariam dedicando seu tempo livre para ajudar os rebeldes.

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, anfitrião da cúpula da próxima semana, fez um apelo para que a Rússia retire seus tanques e ameaçou o presidente russo, Vladimir Putin, com consequências.

O ministro do Exterior polonês, Radek Sikorski, acusou a Rússia de agressão aberta. O presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu, Elmar Brok, disse em Bruxelas que os líderes da UE devem discutir sanções econômicas mais severas à Rússia neste sábado. "Sanções funcionam. A Rússia já está agora sob grande pressão econômica. O Kremlin deve entender que sua política custará muito caro", disse o político democrata-cristão. Para sábado, a União Europeia agendou uma cúpula especial que, na verdade, deveria discutir cargos ainda vagos a serem ocupados no bloco.