28 de Agosto, 2014 - 17:40 ( Brasília )

Geopolítica

O que se sabe sobre a nova frente no conflito na Ucrânia


O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, cancelou nesta quinta-feira uma viagem internacional, alegando que a Rússia "enviou tropas" ao leste de seu país.

As declarações ocorrem num momento em que rebeldes pró-Rússia abrem uma nova frente de combate no sul ucraniano, com a tomada da cidade costeira de Novoazovsk.

A Otan (aliança militar ocidental) diz ter detectado um aumento significativo no suprimento de armas russas a rebeldes ucranianos nas últimas duas semanas.

A Rússia, por sua vez, nega que suas tropas tenham cruzado a fronteira com a Ucrânia e continua insistindo que não fornece assistência ou armas aos rebeldes.

Preparamos um guia com as informações mais recentes do conflito, que deixou ao menos 2.119 pessoas mortas nos últimos quatro meses:

O que está acontecendo?

O conflito na Ucrânia vinha se concentrando na região de duas cidades importantes do leste do país: Donetsk e Lugansk. Agora, rebeldes teriam avançado mais ao sul, na costa do Mar de Azov.

As autoridades ucranianas confirmam que a cidade de Novoazovsk, perto da fronteira com a Rússia, foi capturada pelos rebeldes que foram descritos como "soldados russos".

As forças armadas ucranianas disseram que tiveram que recuar suas tropas da cidade para salvar vidas, e que soldados ucranianos estão agora reforçando as defesas da cidade de Mariupol, um porto estratégico mais a oeste onde até agora não foram registrados confrontos.

Novoazovsk fica na rota que conecta a Rússia à península da Crimeia (anexada por Moscou em março) - despertando temores de que os separatistas estejam tentando criar um elo terrestre entre a Rússia e a Crimeia.

Se isso ocorrer, os separatistas (ou mesmo Moscou) podem obter o controle sobre a região do Mar de Azov e suas reservas estimadas de gás e minérios.

Como anda o conflito em outras partes do leste do Ucrânia?

As tropas ucranianas haviam conseguido avanços significativos contra os rebeldes nas últimas semanas, mas o avanço separatista em duas áreas distintas da região de Donetsk agora colocam essas conquistas em dúvida.

Foi esse quadro que levou o presidente ucraniano a convocar uma reunião de emergência de seu conselho de segurança.

"Decidi cancelar minha viagem de trabalho à Turquia por causa do agravamento da situação na região de Donetsk (leste do país), já que tropas russas foram levadas para dentro da Ucrânia", disse Poroshenko em comunicado.

Seu premiê, Arseny Yatsenyuk, afirmou que a Rússia "iniciou uma guerra na Europa" e pediu "ações efetivas" da comunidade internacional.

O que fala sobre a presença de soldados russos no leste da Ucrânia?

Segundo a Otan, mais de mil soldados russos estariam dentro de território ucraniano, ajudando os separatistas nas várias frentes - algo que a Rússia nega.

O líder separatista Alexander Zakharchenko disse à TV russa que entre 3 mil e 4 mil cidadãos russos estão participando de forma voluntária dos combates ao governo central ucraniano.

O brigadeiro da Otan Niko Tak disse à BBC que há "uma significativa escalada no nível e na sofisticação da interferência militar russa na Ucrânia" nas últimas duas semanas.

"Detectamos grandes quantidades de armas avançadas, incluindo sistemas aéreos de defesa, artilharia, tanques e homens armados sendo entregues a forças separatistas na Ucrânia", afirmou. "A Rússia está reforçando e suprindo separatistas em uma tentativa de mudar o conflito, que até o momento é vencido pelo Exército ucraniano."

Por sua vez, o embaixador da Rússia na União Europeia, Vladimir Chizhov, disse que a Otan “nunca apresentou sequer uma prova” dessas acusações contra a Rússia.

Ele disse que os únicos soldados russos que entraram no território ucraniano foram os dez paraquedistas capturados no início desta semana e que, segundo Moscou entraram por engano na Ucrânia.

O que vem a seguir?

Além da reunião de emergência convocada por Poroshenko, o Conselho de Segurança da ONU realiza uma reunião de emergência nesta quinta-feira para discutir a situação.

O presidente ucraniano afirmou que a situação é "extremamente difícil", mas "é possível gerenciá-la de forma a que não entremos em pânico e continuemos calculando nossas ações".

A chanceler (premiê) alemã Angela Merkel exigiu uma explicação do presidente russo, Vladimir Putin, a respeito da suposta nova incursão na Ucrânia. E o presidente francês, François Hollande, falou que tal incursão seria "intolerável".