13 de Junho, 2014 - 15:55 ( Brasília )

Geopolítica

Ucrânia acusa Rússia de autorizar opreações blindadas pós-fronteira

Presidente ucraniano Petro Poroshenko apresentou um protesto ao presidente russo Vladimir Putin

A Ucrânia acusou a Rússia nesta quinta-feira de permitir que três blindados e outros veículos militares cruzassem a fronteira no leste da Ucrânia, para ajudar separatistas pró-Rússia na região.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko apresentou um protesto ao presidente russo Vladimir Putin, segundo um porta-voz do governo ucraniano.

Segundo comentário do porta-voz ucraniano em sua página no Facebook, Poroshenko descreveu a situação como "inaceitável".

A Rússia não respondeu imediatamente às acusações.

Correspondentes da Reuters viram três tanques na cidade ucraniana de Snizhnye, na fronteira leste do país.

"Nós observamos colunas passando com blindados de transporte de tropas, outros veículos militares e peças de artilharia, além de tanques que, segundo nossas informações, cruzaram a fronteira e esta manhã estavam em Snizhnye", disse a repórteres o ministro do interior da Ucrânia Arseny Avakov, em Kiev.

Rússia afirma que blindados ucranianos cruzaram a fronteira

O porta-voz do Kremlin afirmou nesta sexta-feira que veículos blindados ucranianos cruzaram a fronteira com a Rússia e foram interceptados por guardas de fronteira.

De acordo com Dmitry Peskov, citado pelas agências de notícias russas, dois blindados entraram em território russo nesta sexta-feira antes de serem bloqueados pelos guardas de fronteira.

O presidente russo Vladimir Putin "ordenou o Ministério das Relações Exteriores a contactar o lado ucraniano sobre a violação da fronteira por militares ucranianos", disse o porta-voz, citado pela Interfax.

Governador quer muralha na fronteira com a Rússia

O governador bilionário do leste da Ucrânia, Igor Kolomoiski, propôs a construção de um muro com arame farpado eletrificado de 2.000 quilômetros ao longo fronteira com a Rússia, anunciou nesta sexta-feira uma fonte oficial.

"Este projeto pode ser concretizado em seis meses", disse o vice-governador de Dnipropetrovsk, Sviatoslav Oliinik, à agência Interfax-Ucrânia.

O custo total do projeto é de 100 milhões de dólares.

As novas autoridades ucranianas têm apostado nos oligarcas das regiões industriais de língua russa no leste do país para combater as tendências separatistas.

Desta forma, Kolomoiski, co-proprietário da poderosa holding Privat (setor bancário, metalúrgico), com uma fortuna estimada em 2,4 bilhões de euros, tornou-se governador da região de Dnipropetrovsk.

"O interesse dos oligarcas é que a soberania da Ucrânia seja mantida. Sob Putin perderiam o seu poder e os seus negócios", explicou à AFP Berezovets Taras, cientista político.

"Putin não é normal, foi à loucura com a sua missão de restaurar o império russo. Isso poderia causar uma catástrofe global", ressaltou recentemente Kolomoiski.

O presidente russo, Vladimir Putin, e o ucraniano, Petro Poroshenko, realizaram conversas telefônicas durante às quais discutiram um plano para acabar com a crise no leste pró-russo da Ucrânia.

Pouco antes, o chanceler russo Sergei Lavrov havia considerado que o governo ucraniano não estava cumprindo suas promessas de "coibir a violência" na região, enquanto Kiev acusou Moscou de ser o responsável pela tensão.