23 de Março, 2011 - 11:01 ( Brasília )

Geopolítica

Oriente Médio - Encurralado, ditador do Iêmen ameaça guerra civil

Líder promete sair no fim do ano, mas oposição insiste em renúncia já Secretário de Defesa dos EUA, aliado do país, se diz preocupado e pede que não se desvie foco do combate à Al Qaeda

O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, 65, há 32 anos no poder, descartou sua renúncia imediata, pedida por milhares de manifestantes, e afirmou que o país entrará em guerra civil se ele for forçado a abandonar o cargo.

Mais tarde, porém, seu porta-voz, Ahmed al Sufi, disse que Saleh está disposto a deixar o poder no final de 2011 ou em janeiro de 2012, após eleições parlamentares.

A concessão do ditador, que antes prometera sair em setembro de 2013, não satisfez a oposição, que a chamou de "nova manobra política".

A pressão sobre Saleh, que enfrenta protestos desde fevereiro, cresceu exponencialmente após atiradores de elite matarem 52 pessoas durante manifestação na capital do país, Sanaa, na sexta.

Anteontem, dezenas de militares, governadores de província e pelo menos seis embaixadores anunciaram saída do governo e apoio aos movimentos de oposição. Na TV, o ditador classificou a defecção dos militares como "motim e golpe contra a legitimidade constitucional".

PREOCUPAÇÃO DOS EUA

Ontem, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, manifestou publicamente preocupação com a instabilidade no Iêmen, aliado americano na região, e disse que é necessário não "desviar o foco" do combate à Al Qaeda.

Os temores se justificam: um braço do grupo terrorista, a Al Qaeda na Península Árabe, age desde 2009 no Iêmen e foi responsável por atentado frustrado no Natal daquele ano, quando um nigeriano tentou se explodir em um avião rumo a Detroit (EUA).

Antes dos protestos, Saleh enfrentava também rebelião armada no norte do país, que já dura sete anos, e movimento separatista no sul, onde 13 supostos membros da Al Qaeda morreram ontem em choque com o Exército.

NOVOS PROTESTOS

No centro de Sanaa, dezenas de milhares de pessoas se reuniram em nova manifestação, muitas delas com o rosto pintado nas cores da bandeira nacional (vermelho, preto e branco). Não houve relatos de conflitos.