04 de Abril, 2014 - 10:30 ( Brasília )

Geopolítica

Forças de segurança chilenas mantêm a ordem após terremoto e tsunami


Malcolm Alvarez-James

Militares e forças de segurança chilenas agiram rápido para proteger vidas e manter a ordem depois que um grande terremoto sacudiu a costa norte do país na noite de 1º de abril de 2014.

O tremor de magnitude 8,2 ocorreu pouco antes das 21h (hora local), 95 quilômetros a noroeste da cidade de Iquique, cerca de 1.800 km a norte de Santiago. O terremoto foi seguido de uma sucessão de réplicas com magnitude de até 6,2. O impacto foi sentido com mais força nas regiões de Arica, Tarapaca e Antofagasta. O tremor provocou deslizamentos de terra que bloquearam estradas, pane no sistema elétrico e incêndios. Seis pessoas morreram pela queda de destroços ou vítimas de ataques cardíacos, disseram as autoridades.

Logo após o abalo sísmico, o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha Chilena enviou um alerta de tsunami para a costa chilena. Autoridades de segurança ordenaram a evacuação de centenas de milhares de pessoas das áreas litorâneas.

Uma onda de água de mais de dois metros de altura atingiu a costa na região de Iquique cerca de 45 minutos após o terremoto, de acordo com oficiais da Marinha. Inicialmente, porém, não houve relatos de prejuízos importantes decorrentes da inundação.

No Peru, autoridades de segurança também começaram a evacuar comunidades na região costeira de Ica, no sul do país, como forma de precaução frente ao tsunami. Alertas de tsunami também foram lançados para áreas litorâneas de Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua e ilhas do Havaí.

Estado de emergência

A presidente chilena, Michelle Bachelet, declarou estado de emergência nas regiões afetadas e enviou uma aeronave de transporte militar Hércules C-130 com 100 policiais das Forças Especiais de Santiago à região norte. Os agentes das Forças Especiais se uniram à polícia local e a 300 soldados do Exército e da Força Aérea mobilizados na região para auxiliarem na evacuação e evitar saques.

A presidente Bachelet ordenou que os soldados do Exército e da Força Aérea “assumam o controle da ordem pública e evitem (...) saques e desordem” nas regiões atingidas. O brigadeiro-general do Exército Miguel Alfonso Bellet, comandante da 1ª Brigada Blindada "Cuirassiers", foi designado para o comando da região de Arica. Já o general da Força Aérea Arturo Merino Núñez, chefe do Comando Norte Conjunto, foi encarregado da área de Tarapaca.

Soldados da polícia e do Exército assumiram o controle de postos de gasolina e estabeleceram um perímetro de segurança para os supermercados de Iquique, uma importante cidade portuária com cerca de 180.000 habitantes, de acordo com a imprensa local. As forças de segurança impediram tentativas de saquear lojas e residências em Iquique, segundo as autoridades.

As forças de segurança também começaram a recapturar centenas de detentas que escaparam de um presídio feminino de Iquique durante o terremoto. Cerca de 20 presas haviam sido detidas nas primeiras 12 horas após o terremoto, disseram as autoridades.

Forças de segurança mantêm a ordem

As forças de segurança responderam ao terremoto e aos alertas de tsunami de maneira “exemplar”, diz Jaime Baeza, analista de segurança do Instituto de Assuntos Públicos da Universidade do Chile.

“O nível de coordenação entre autoridades civis e militares foi impecável”, avalia Baeza. “As Forças Armadas e a polícia responderam imediatamente e seu desempenho tem sido excelente."

As forças militares chilenas têm longa experiência para lidar com terremotos. Depois que um tremor de magnitude 8,8 matou mais de 500 pessoas e devastou grandes regiões do centro do Chile, em fevereiro de 2010, o governo mobilizou 14.000 soldados do Exército e da Marinha nas regiões atingidas e incumbiu as autoridades militares de prestar auxílio. As forças militares ganharam o reconhecimento da população por prender saqueadores e restaurar a ordem na região.

O mais forte terremoto já registrado na Terra ocorreu no Chile, um tremor de magnitude 9,5 em 1960 que matou mais de 5.000 pessoas e provocou tsunamis no Havaí, no Japão, nas Filipinas e na costa oeste dos Estados Unidos.

Julieta Pelcastre colaborou nesta reportagem.