17 de Março, 2014 - 09:15 ( Brasília )

Geopolítica

Crimeia: 96,7 por cento votaram a favor da reunificação com a Rússia

Parlamento da Crimeia pede oficialmente anexação à Rússia

A maioria absoluta dos moradores da Crimeia - 96,77% dos crimeanos (pouco mais de 1,2 milhão de eleitores) -, votou a favor da reunificação com a Rússia no referendo separatista realizado domingo.

Segundo as autoridades locais, na consulta, declarada ilegal pelo governo da Ucrânia e pela quase totalidade da comunidade internacional, participaram 1.274.096 crimeanos, ou seja, uma participação de 83,1% dos eleitores aptos a votar.

Antes que de terminar a apuração, Malishev estimou que apenas pouco mais de 3% dos eleitores escolheram a segunda opção: uma ampla autonomia no seio da Ucrânia. Ele reconheceu que alguns eleitores mortos tinham sido incluídos no censo eleitoral, e culpou as autoridades de Kiev, que bloquearam os últimos dados de população, pela falha.

Malishev afirmou que o censo foi elaborado com dados de 2012, mas confessou que sua própria mãe, que morreu em 4 de março, também recebeu uma carta da comissão eleitoral após morta.

De acordo com os números de participação, além dos 60% de russos étnicos, a minoria ucraniana também votou e, segundo as autoridades, uma pequena porcentagem de tártaros, que foram convidados pelas lideranças étnicas a boicotar a consulta.

O parlamento crimeano aprovará hoje em sessão extraordinária os resultados do plebiscito e em seguida se dirigirá ao presidente russo, Vladimir Putin, para que aceite a república separatista ucraniana dentro da Federação Russa.

Anexação à Rússia

O parlamento da Crimeia aprovou nesta segunda-feira uma resolução na qual se declara independente da Ucrânia e pediu oficialmente a anexação da península à Rússia. "A república da Crimeia se dirige à Federação Russa pedindo que seja aceita no seio da Rússia na qualidade de uma nova entidade", assinala o texto.

A resolução foi ratificada em uma sessão extraordinária do legislativo, em que também foi decidido que a Crimeia adotará o fuso horário de Moscou, e não o de Kiev como até agora, a partir de 30 de março.

A declaração de independência aconteceu depois de 96,77% dos crimeanos que participaram do referendo deste domingo votarem a favor da reunificação com a Rússia.

Segundo as autoridades locais, na consulta, declarada ilegal pelo governo da Ucrânia e pela quase totalidade da comunidade internacional, participaram 1.274.096 crimeanos, ou seja, uma participação de 83,1% dos eleitores aptos a votar.

O presidente russo, Vladimir Putin, defendeu ontem à noite a legitimidade do referendo separatista crimeano em um telefonema com o presidente americano, Barack Obama, que lembrou ao chefe do Kremlin que o Ocidente adotará sanções se a Crimeia ingressar na federação russa.

Os Estados Unidos e a União Europeia condenaram ontem à noite a consulta, e anteciparam que não reconhecerão os resultados, além de defenderem com veemência a integridade territorial da Ucrânia, que por sua vez tachou a votação de anticonstitucional.