24 de Março, 2011 - 10:50 ( Brasília )

Geopolítica

Líbia - Força Aérea líbia está destruída, diz coalizão militar

Ação permite imposição de zona de exclusão aérea, mas ataques continuam; Obama volta a descartar invasão No quinto dia de ações, aliados atacam alvos do governo em cidades ao leste e oeste; Otan inicia participação na missão

Após cinco dias de ataques a alvos da defesa do regime de Muammar Gaddafi, a coalizão liderada por EUA, França e Reino Unido conseguiu destruir a Força Aérea líbia, afirmou um oficial britânico.

"A Força Aérea líbia efetivamente não existe mais enquanto força de combate, e o sistema integrado de defesa aérea e de comando e controle foi severamente danificado", disse Greg Bagwell, que comanda as operações aéreas britânicas na Líbia.

Segundo Bagwell, as forças aliadas operam agora virtualmente imunes a ações de forças leais ao ditador líbio.

O anúncio representa a quase conclusão de um dos objetivos da intervenção militar: a imposição da zona de exclusão aérea na Líbia.

A medida visa evitar que as forças de Gaddafi promovam ataques contra bastiões rebeldes e sufoquem a revolta que tenta depor o ditador -cenário que se desenhava quando foi aprovada a ação na ONU, há uma semana.

Ontem, as forças aliadas também atacaram tanques e artilharia líbia para debilitar a capacidade do regime de realizar ações contra civis -outro objetivo da missão.

Para evitar especulações, o presidente americano, Barack Obama, voltou a descartar a eventual invasão por terra. "Está totalmente fora de questão", disse.


OTAN
No quinto dia de intervenção, a coalizão internacional concentrava ações, além da capital, Trípoli, nas cidades de Ajdabiyah e de Misrata.

A primeira é o principal front de batalha entre os rebeldes que controlam o leste do país -baseados em Benghazi- e as forças oficiais.

E Misrata é o principal reduto opositor na parte ocidental. A cidade, a terceira maior do país, é alvo de intensa ofensiva governista.

Também ontem, embarcações da Otan começaram a patrulhar o litoral líbio para garantir o embargo da ONU ao país.

Persiste, no entanto, a indefinição sobre se o comando da missão -hoje responsabilidade dos EUA- vai ser transferido para a aliança.

Opõe-se à possibilidade a Turquia, membro muçulmano da Otan. A Alemanha, que se absteve na votação na ONU, iniciou a retirada de suas forças militares do mar Mediterrâneo.

Os EUA disseram ontem ter intenção de transferir o comando das operações já no próximo fim de semana.