07 de Março, 2014 - 11:05 ( Brasília )

Geopolítica

Ucrânia diz que 30 mil soldados russos já ocuparam a Crimeia

A estimativa é quase o dobro da divulgada anteriormente pelo governo de Kiev

A Rússia tem atualmente 30.000 militares na região ucraniana da Crimeia, quase o dobro do número divulgado anteriormente pelo governo de Kiev, disseram guardas de fronteira da Ucrânia nesta sexta-feira.

Serhiy Astakhov, assessor do chefe do serviço de guardas da fronteira, disse à Reuters que o número é uma estimativa que inclui tanto as tropas que chegaram na semana passada quanto os militares da frota russa no mar Negro, que têm base permanente no porto de Sebastopol.

A Rússia, cujas forças ocuparam a península da Crimeia na semana passada, diz que as únicas tropas que possui na região são aquelas como base no porto de Sebastopol.

As tropas russas que ocuparam posições na Crimeia não possuem insígnias em seus uniformes, mas dirigem veículos com placas militares russas.

A Ucrânia diz que milhares de tropas extras chegaram e foram espalhadas pela península ocupada, em violação ao tratado que regulamenta a base militar. A Ucrânia havia informado nesta semana que 16.000 militares russos estavam na Crimeia.

EUA cogitam ampliar lista de sanções contra cidadãos russos

As sanções anunciadas nesta quinta-feira pelo governo americano contra indivíduos responsáveis pela crise da Ucrânia não são as primeiras que têm como destinatários cidadãos russos que, de acordo com os Estados Unidos, violaram a lei ou os direitos fundamentais. Em 2012 o Congresso aprovou a chamada lista Magnitsky, uma lei que leva o nome do advogado Serguei Magnitsky, e que castiga 18 indivíduos da Federação Russa que supostamente estiveram relacionados com a detenção e morte do letrado, que tinha revelado uma suposta fraude multimilionária e morreu na prisão em 2009.

O caso Magnitsky motivou o Congresso americano a impor medidas de castigo contra os supostos envolvidos, aos quais foram aplicadas a proibição de visitar os EUA e de realizar transações financeiras. Agora, por causa da ocupação da Crimeia e da escalada de tensão com a Rússia, alguns legisladores americanos levantaram a voz para que a Administração de Barack Obama utilize esta lei como ferramenta para sancionar os responsáveis russos envolvidos na crise.

Em uma audiência realizada nesta quinta pelo Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, o subsecretário de Estado adjunto para a Europa e Eurásia, Eric Rubin, afirmou que o Departamento de Estado está considerando "ativamente" a inclusão de alguns funcionários russos ligados à invasão da Ucrânia à lista Magnitsky, o que representaria para esses indivíduos a imposição de sanções permanentes.

O presidente Barack Obama anunciou sanções, através de outro instrumento - uma ordem executiva - contra indivíduos envolvidos nos eventos da Ucrânia e da Crimeia, mas não revelou as identidades. A representante republicana pela Flórida, Ileana Ros-Lehtinen, aplaudiu a medida adotada pelo presidente, mas considerou que não é suficiente e anunciou a apresentação de uma relação de nomes adicionais para incluir na lista Magnitsky.

"Negar e revogar vistos de membros do regime russo que estão conectados com as ações bélicas na Ucrânia e o congelamento e a proibição de qualquer de suas transações sobre propriedades americanas são passos na direção correta", considerou a legisladora em relação à ordem executiva aprovada por Obama.

"Mas agora temos que apontar e envergonhar estas pessoas, agregá-los, junto com outros funcionários de (Vladimir) Putin responsáveis por abusos contra os direitos humanos à lista Magnitsky que impõe sanções similares. A incorporação destes nomes tornaria estas sanções permanentes, em vez de uma ordem executiva que o presidente pode rescindir", acrescentou.

Ros-Lehtienen perguntou a Rubin se o Departamento de Estado considerava dita opção, ao que o funcionário respondeu com uma rotunda afirmação.

Se for realizada, a ampliação da lista Magnitsky não ficaria previsivelmente sem resposta por parte da Rússia.

A primeira reação do Kremlin quando se aprovou a lista foi promover uma lei que proibia a adoção de crianças russas por parte de cidadãos americanos e impor sérias restrições para as ONGs que pretendessem trabalhar em solo russo e fossem originárias do Ocidente.

A Rússia chegou ainda a emitir uma lista similar contra outros 18 funcionários americanos como resposta ao castigo imposto pelos Estados Unidos.