06 de Março, 2014 - 09:00 ( Brasília )

Geopolítica

Nicarágua descarta bases militares russas em seu território


O vice-presidente da Nicarágua, Moisés Omar Halleslevens, e o chefe do Exército, general Julio César Avilês, descartaram nesta quarta-feira a possibilidade de que a Rússia instale bases militares no país centro-americano.

Halleslevens, um general reformado, explicou aos jornalistas que a Constituição proíbe a instalação de bases militares estrangeiras no território nicaraguense.

"Temos uma relação muito profunda com a Federação da Rússia e (a decisão de não receber as bases russas) está baseada na Constituição e nas leis", argumentou o vice-presidente, um ex-guerrilheiro sandinista que foi chefe do Exército nicaraguense entre 2005 e 2010.

Halleslevens e o general Avilês foram perguntados sobre uma declaração atribuída ao ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoygu, que teria dito a jornalistas na semana passada que seu país tem a intenção de ampliar sua presença militar internacional com a instalação de novas bases, segundo a agência russa RIA Novosti.

Shoygu teria afirmado que a Rússia estava negociando com Cuba, Nicarágua e Venezuela sobre a instalação de bases militares. "Respeitamos o que está estabelecido na Constituição Política da República e as leis de nosso país", declarou nesta quarta-feira o chefe militar nicaraguense.

Desde que o sandinista Daniel Ortega voltou à Presidência em 2007, Nicarágua e Rússia fortaleceram suas relações em todos os níveis. Moscou construirá em Manágua um centro regional de treinamento para o combate ao tráfico de drogas.

A Nicarágua, de acordo com uma proposta de Ortega, também autorizou por seis meses, até o próximo dia 30 de junho, a entrada de tropas, navios e aeronaves militares da Rússia no país para a realização de operações conjuntas de combate ao tráfico de drogas nos espaços marítimos delimitados pela Corte Internacional de Justiça (CIJ) com a Colômbia no mar Caribe.

Também realizam operações contra o transporte de cargas ilegais nas águas jurisdicionais do Oceano Pacífico.

A Rússia, um antigo aliado da Nicarágua que durante o primeiro regime sandinista (1979-1990) forneceu armamento soviético às Forças Armadas nicaraguenses, também construirá nos arredores de Manágua um centro de treinamento de combate ao narcotráfico, que preparará agentes para operar em toda a América Central.

O país centro-americano recebeu a visita de dois aviões militares russos Tupolev 160, que geralmente levam carga nuclear e são consideradas uma das aeronaves mais sofisticadas da Rússia, assim como dois navios da Marinha de Guerra russa.

A Nicarágua é um dos poucos países, assim como a Venezuela e os pequenos Estados insulares de Nauru e Tuvalu, que se juntaram à Rússia no reconhecimento da independência da Abkhazia e da Ossétia do Sul, regiões separatistas na Geórgia.

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