05 de Março, 2014 - 11:25 ( Brasília )

Geopolítica

Resistência ucraniana na Crimeia causa problemas à Rússia


Christian Frasier

O clima está mudando na Crimea

Na sexta-feira, os russos tomaram a região, sem sofrer oposição dos ucranianos. Talvez, após o confuso desfecho dos eventos em Kiev, os ucranianos ainda estivessem pensando a quem deveriam obedecer.

Mas hoje há grandes grupos de militares ucranianos que resistem à nova autoridade na Crimeia. Eles recusam-se a render-se e entregar suas bases e navios de guerra e lentamente começam a criar problemas para os russos.

Talvez uma decisão tenha sido tomada para contra-atacar? Até agora isso tem sido feito pacificamente, mas cada vez mais as tropas testam os limites da Rússia , esperando mostrar ao mundo que os ucranianos não estão sendo intimidados por seus mestres russos.

A comunidade internacional parece ter desistido da Crimeia. Mas está claro que o novo governo de Kiev não desistiu.

O que nos leva aos eventos da última terça-feira.

Insultos e obcenidades

A guarda russa na base aérea de Sevastopol deve ter considerado a probabilidade de um confronto como este. Marchando em sua direção estava uma coluna de 300 soldados ucranianos portando orgulhosamente sua bandeira nacional.

Os russos atiraram sobre suas cabeças, mas os ucranianos continuaram marchando em linha, cantando seu hino, em desafio.

Saraivadas e mais saraivadas de balas passaram sobre suas cabeças e, quando eles se aproximaram das barricadas, os fuzis dos soldados russos foram baixados.

Essa base aérea em Sevastopol abriga os esquadrões de caças MIG da força aérea ucraniana.

Por muitos dias, as tropas leais à Kiev têm sido confinadas em suas bases – mas agora os comandantes russo e ucraniano ficaram frente a frente.

Os dois lados gritaram insultos e obscenidades enquanto os oficiais tentavam acalmar a situação.

O oficial ucraniano pediu a realização de patrulhas conjuntas na base aérea. O oficial russo repassou o pedido a seus superiores, mas a situação chegou a um impasse.

Nó apertado

O que a comunidade internacional mais teme é um confronto que saia do controle e leve à guerra.

Um prazo limite para que as forças ucranianas baixassem suas armas expirou na manhã de terça-feira.

Moscou disse que o ultimato não existiu. Mas o presidente russo, Vladimir Putin, disse em sua primeira entrevista durante a crise que usar a força para proteger os russos na Ucrânia seria o “último recurso”.

Não há dúvidas de que o nó está ficando mais apertado em volta de quem se recusa a submeter-se à nova autoridade na Crimeia. E o ambiente está ficando mais hostil.

Ao redor das bases, os partidários da Rússia estão ameaçando jornalistas e os familiares de soldados trancados lá dentro. Até agora, muitas esposas estão conseguindo contrabandear comida para dentro, mas por quanto tempo ainda terão esse acesso?

No porto, tem havido bastante atividade. Os marinheiros ucranianos estão revestindo as grades de seus navios para evitar que russos lancem ganchos e os invadam.

Na noite de segunda-feira, na antecipação de uma tática, um navio-guindaste foi manobrado para a entrada do porto.

Ele pertence à frota russa do mar Negro. O bloqueio não é completo, mas a mensagem passada pelos russos é clara. Além disso, na manhã de terça-feira, cinco navios russos patrulhavam o local.

A Rússia diz que é legítimo defender os direitos de seus partidários – que parecem mais cidadãos do leste do que do oeste.

E provavelmente eles são maioria na Crimeia, embora haja minorias significantes como a comunidade Tartar – que não quer se anexada pela Rússia.

Ao mesmo tempo, o Kremlin tenta defender seus interesses estratégicos.

Os americanos agiriam de forma diferente? Trata-se do acesso ao mar Negro, sem mencionar os laços do terriório da ex-União Soviética.

Na parte leste da península, em Kerch, os russos estão reforçando suas tropas. O terminal de barcas foi tomado. Talvez mais equipamento pesado seja trazido.

Na segunda-feira, o presidente russo Dmitri Medvedev disse que seu governo construiria uma ponte entre a Rússia e Kersh. Isso reforça o desejo do Kremlin de ficar unido permanentemente à Crimeia.