01 de Março, 2014 - 11:40 ( Brasília )

Geopolítica

Ucrânia põe unidades militares em estado de alerta máximo

Ucrânia acusa Rússia de desembarcar tropas na Crimeia

A Ucrânia pôs suas unidades militares em estado de alerta máximo por causa da situação na república autônoma da Crimeia, onde tropas russas tomam o controle de pontos estratégicos, informou neste sábado o ministro da Defesa ucraniano, Igor Teniuj.

Teniuj fez essa declaração durante uma reunião do Conselho de Ministros em Kiev, na qual assinalou que as tropas "estão prontas para defender suas unidades militares".

Rússia desembarcou tropas na Crimeia?*

O presidente interino da Ucrânia Oleksander Turchynov acusou a Rússia de enviar tropas para a Crimeia em uma tentativa de arrastar Kiev para um “conflito armado”.

Em um pronunciamento pela televisão, ele afirmou que Moscou deseja que o governo interino reaja às suas provocações para que tropas russas possam anexar a Crimeia.

O pronunciamento ocorre no mesmo momento em que surgem relatos não confirmados de que aeronaves russas teriam posicionado grande quantidade de militares na região.

O embaixador russo na ONU disse que os movimentos de tropas de seu país na Crimeia estariam previstos em um acordo prévio com a Ucrânia.

O presidente americano Barack Obama alertou a Rússia que qualquer intervenção na Ucrânia terá “custos”.

“Qualquer violação da soberania e integridade territorial da Ucrânia seria profundamente desestabilizadora, o que não está entre os interesses da Ucrânia, Rússia ou Europa”.

Ele disse que os EUA apoiam o governo interino da Ucrânia e elogiou "sua moderação e seu compromisso de defender suas obrigações internacionais".

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu a portas fechadas para discutir a crise e avalia enviar uma missão de negociadores ao país.

O presidente Turchynov solicitou ao presidente Vladimir Putin que “pare com provocações e inicie as negociações”.

Ele afirmou que a Rússia está adotando o mesmo comportamento que teve antes de mandar tropas à Georgia em 2008 para atacar as regiões separatistas da Abkhazia e da Ossetia do Sul, que possuem grande número de moradores de origem russa.

“Eles estão implementando o mesmo cenário que realizaram na Abkhazia, onde depois de provocar um confronto, iniciaram a anexação do território”, disse Turchynov.

Locais estratégicos invadidos

O pronunciamento do presidente ucraniano ocorreu horas após o Kremlin afirmar que Putin teria ressaltado para autoridades do Ocidente, por telefone, “a extrema importância de não permitir uma escalada maior da violência”.

Na manhã desta sexta-feira, em Rostov-on-Don, cidade no sul Rússia próxima à fronteira com a Ucrânia, o presidente deposto da Ucrânia, Viktor Yanukovych afirmou não reconhecer o novo governo estabelecido pela oposição ao seu governo em Kiev e que ainda se considera o presidente legítimo do país.

O espaço aéreo da Crimeia foi fechado e os voos ligando a capital Simferopol ao resto do mundo foram cancelados. Aeroportos teriam sido invadidos por militares de identidade não confirmada.

Sergiy Kunitsyn, um membro do alto escalão do governo ucraniano, disse à mídia local que 13 aeronaves russas pousaram em uma base em Simferopol e desembarcaram cerca de dois mil militares suspeitos. Contudo, a informação não foi confirmada.

As redes de comunicação de fibra ótica que ligavam a Crimeia com o resto da Ucrânia teriam também sido cortadas.

Segundo o correspondente da BBC em Simferopol, Oleg Boldyrev, a interrupção das comunicações de telefonia e dados na região é o sinal mais concreto de que a população local começa a viver uma situação de emergência.

Além de possuir moradores de origem étnica russa, a Crimeia possui importantes bases navais russas no mar Negro.

Com BBC