26 de Fevereiro, 2014 - 11:40 ( Brasília )

Geopolítica

Ucrânia não é briga 'Ocidente versus Oriente', diz Kerry


A Ucrânia não está no meio de uma batalha entre Oriente e Ocidente, argumentou nesta terça-feira o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pedindo que países trabalhem juntos em busca de uma solução para a crise ucraniana.

"Isto não é um jogo de soma zero, Leste versus Oeste", declarou, em encontro com o chanceler britânico, William Hague. "Não é Rússia ou EUA, a questão tem a ver com os ucranianos decidindo seu futuro, e queremos trabalhar com a Rússia e outros países, todos disponíveis, para garantir (uma solução) pacífica."

Kerry faz referência à disputa de poder em curso na Ucrânia: a onda de protestos que varreu o país - e que culminou com a queda do presidente Viktor Yanukovych - teve origem justamente na recusa do presidente em assinar um tratado com a União Europeia, em prol de uma aproximação maior com a Rússia.

Parte dos ucranianos defende a integração com o bloco europeu; outra parte, porém, fala russo e prefere estar sob a esfera de influência de Moscou.

O novo governo em Kiev segue sendo rejeitado pelas regiões ucranianas que falam russo.

Moscou, por sua vez, que apoiava Yanukovych, advertiu contra grupos que estejam buscando "vantagens unilaterais" na Ucrânia.

Mas o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que seu país manterá uma "política de não-intervenção" no vizinho.

'Separatismo'

Mais cedo, o presidente interino ucraniano, Olexander Turchyno, expressou preocupação com o que chamou de séria ameaça de separatismo, após a derrubada de Yanukovych.

Em discurso ao Parlamento, ele disse que se reuniria com as forças de segurança para discutir o risco de separatismo em regiões com grandes populações étnicas russas.

Na região da Crimeia, alguns substituíram a bandeira ucraniana de um edifício estatal pela bandeira russa.

Enquanto isso, o Parlamento ucraniano adiou para quinta-feira a formação de um governo de unidade.

O motivo é permitir mais consultas, disse Turchynov, acrescentando que "uma coalizão de união nacional deve ser eleita".

Já Yanukovych fugiu de Kiev no final de semana, e seu paradeiro ainda é incerto.