12 de Fevereiro, 2014 - 17:05 ( Brasília )

Geopolítica

Dilma reduz pela metade viagens internacionais


Mariana Schreiber e Rogério Wassermann
 

Mais focada em assuntos domésticos, a presidente Dilma Rousseff viajou muito menos ao exterior que seu antecessor, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (2003 a 2010).

Levantamento da BBC Brasil a partir de informações oficiais revela que, em seus três primeiros anos de governo, Dilma passou 113 dias fora do país, em visita a 31 países - alguns deles visitados mais de uma vez, como Argentina, EUA e Peru, esses dois últimos casos inflados por viagens para encontros multilaterais.
 

Em comparação com o segundo mandato de Lula, Dilma reduziu em mais da metade o número de dias no exterior. Entre 2007 a 2009, os primeiros três anos deste mandato, ele foi a 59 países ou localidades (incluindo Antártida e Guiana Francesa), tendo ficado 238 dias fora do Brasil.

Nos primeiros três anos de seu primeiro mandato (2003 a 2005), Lula viajou a 49 países, somando 182 dias no exterior.

Em dias, Dilma viajou até menos que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002). Apesar disso, a atual presidente visitou mais países que o tucano. Nos três primeiros anos de seu governo, FHC usou 135 dias para visitar 26 países. Já nos três primeiros anos de seu segundo mandato, passou 122 dias fora, em viagens a 27 nações.

As viagens internacionais do sociólogo foram ironizadas pelo Casseta e Planeta, programa hoje extinto da Rede Globo que criou o personagem Viajando Henrique Cardoso.

Para analistas ouvidos pela BBC Brasil, a ausência do país em debates internacionais estratégicos está se acentuando no governo Dilma e pode prejudicar a posição do Brasil na comunidade internacional. Já o Itamaraty afirmou que a atuação da diplomacia brasileira segue "diretrizes e objetivos definidos conforme interesses nacionais" e ressaltou que "é um dos 12 países do mundo que mantêm relações diplomáticas com todos os demais membros da ONU."

Destinos

Apesar de ter reduzido o número de viagens ao exterior, os destinos priorizados por Dilma foram similares aos visitados por Lula. A África, que ganhou relevância na agenda presidencial durante o governo de seu antecessor, foi o terceiro continente mais visitado por Dilma.

Os dois primeiros foram, respectivamente, América do Sul e Europa. Ambos foram também os mais visitados pelos dois presidentes anteriores, considerando o período analisado (sempre os três primeiros anos de cada mandato). FHC, porém, privilegiou as viagens à América do Norte e Ásia em detrimento da África.

Nosso maior parceiro comercial entre os países vizinhos, a Argentina, sempre teve destaque na agenda dos três presidentes. Foi o país mais visitado por Dilma, Lula e FHC.

Outro destino importante foram os Estados Unidos. O país, porém, é visitado anualmente por causa da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Dilma chegou a fazer uma visita de Estado ao país em 2012, quando se encontrou com o presidente Barack Obama e participou de um fórum com empresários. No ano passado, porém, ela cancelou outra viagem aos EUA, a que estava prevista para outubro, por causa da revelação de que o governo americano espionou Dilma, a Petrobras e cidadãos brasileiros.

Maior parceiro comercial do Brasil, a China foi visitada uma única vez por Dilma em 2011, viagem que consumiu oito dias, contando o deslocamento. Na ocasião, a presidente fez uma visita de Estado ao país e participou da 3ª Cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Em novembro do ano passado, outra delegação brasileira visitou a China, dessa vez chefiada pelo vice-presidente Michel Temer.

2014

Neste ano, Dilma já viajou ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, e foi também à Havana, em Cuba, para participar da cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e inaugurar um porto financiado pelo BNDES. Entre as duas visitas, ela fez uma parada em Portugal - onde não tinha compromissos oficiais - no final de semana.

A presidente depois ironizou a polêmica em torno dessa escala e afirmou que pagou a conta do restaurante que frequentou em Lisboa.