03 de Junho, 2011 - 14:15 ( Brasília )

Geopolítica

Rússia - Embargo à Carne Brasileira

Para o governo, embargo russo à carne brasileira pode ter "outras motivações" além da questão técnica

Para o governo, embargo russo à carne brasileira pode ter
"outras motivações" além da questão técnica

 

   Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil

   
Brasília - O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura (Mapa), Francisco Jardim, declarou no início da noite de hoje (2) que a forma como a Rússia comunicou o embargo à importação de carne de 89 frigoríficos brasileiros “reforça a sensação de que existem outras motivações para a decisão russa, além das questões técnicas alegadas”.

“Pela segunda vez, a notificação chega sem nem mesmo ter sido enviado ao governo brasileiro o relatório técnico das inspeções russas feitas no Brasil”, afirmou o secretário por meio de nota, se referindo ao episódio ocorrido no final de abril, quando a Rússia embargou temporariamente as importações de oito plantas frigoríficas brasileiras.

Segundo Jardim, a Secretaria de Defesa Agropecuária do Mapa enviou correspondência às autoridades russas cobrando o relatório técnico. Ele disse que na reunião ocorrida há duas semanas, em Moscou, para tratar do assunto, foram repassadas todas as informações técnicas solicitadas pelas autoridades sanitárias russas e, na ocasião, ficou acertado um novo encontro, na mesma cidade, na segunda quinzena de junho, para continuar as discussões.

O Mapa informou que ainda não foi feita a avaliação do impacto do embargo russo. O setor deve fazer essa estimativa na próxima segunda-feira (6), em reunião dos presidentes de todas as empresas exportadoras de carne do Brasil e das associações de exportadores e produtores de carne.

Em relação à declaração do porta-voz do serviço de Inspeção Sanitária Agrícola da Rússia (Isar), Alexéi Alexéyenko, de que foi constatada a presença de bactérias e parasitas em vários lotes de carne brasileira, Jardim a classificou como “completamente destituída de fundamentos científicos”. Segundo ele, isso jamais foi apresentado oficialmente ao governo brasileiro pelas autoridades daquele país.


 

Exportadores de carne exigem que o governo
reaja ao embargo imposto pela Rússia

 

Danilo Macedo
Repórter da Agência Brasil


Brasília - Os exportadoras de carne estão cobrando do governo brasileiro “medidas urgentes” para enfrentar o embargo imposto pelas autoridades sanitárias da Rússia à importação de produtos de 89 frigoríficos de Mato Grosso, do Paraná e do Rio Grande do Sul. O anúncio do governo russo causou surpresa. O setor mais atingido é o de carne suína, que tem a Rússia como destino de 40% das exportações.

“Considerando que a autoridade da Rússia forneceu a data limite de 15 de junho para a medida entrar em vigor, esperamos que o Ministério da Agricultura agende com urgência reunião em Moscou, levando resposta a todos os questionamentos apresentados”, disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto.

Segundo ele, a informação que uma delegação de empresários obteve na viagem feita há duas semanas à Rússia, numa missão liderada pelo vice-presidente da República, Michel Temer, é que o governo daquele país fez várias críticas ao sistema de inspeção brasileiro. O Ministério da Agricultura, no entanto, garantiu que as responderia de forma rápida e inspecionaria novamente todos os frigoríficos habilitados a exportar para o mercado russo. “Porém, com o anúncio, hoje, do embargo, constata-se que não houve tempo hábil para esse retorno”, afirmou Neto.

O representante da indústria de carnes suínas disse que o Brasil pode ser colocado como um modelo internacional em condições de saúde animal no campo e de saúde pública nos frigoríficos, mas reconheceu que existem “falhas burocráticas" no Ministério da Agricultura. “As exportações de carne do Brasil cresceram muito nos últimos anos e falta pessoal técnico para atender a uma crescente demanda. O governo precisa reagir, não deixando qualquer dúvida sobre a sanidade das carnes do Brasil”, ressaltou.