02 de Outubro, 2013 - 11:20 ( Brasília )

Geopolítica

Seul e Washington reforçam cooperação militar contra Pyongyang


Os máximos responsáveis de Defesa da Coreia do Sul e dos Estados Unidos assinaram nesta quarta-feira em Seul um acordo para fortalecer o "guarda-chuva nuclear" que Washington disponibiliza para proteger seu aliado asiático e reforçar suas capacidades conjuntas de dissuasão frente à Coreia do Norte.

O secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, em visita na capital sul-coreana, reafirmou durante a Reunião Consultiva de Segurança anual entre os dois países o compromisso de Washington de apoiar a dissuasão sul-coreana frente ao Norte com todas as suas capacidades militares.

Estas incluem desde ataques convencionais e defesa antimísseis, até o "guarda-chuva nuclear" americano, que consiste no envio de dezenas de interceptadores terrestres para resistir a um hipotético ataque norte-coreano.

Hagel e Kim assinaram em sua reunião a nova "Estratégia de dissuasão adaptada contra a ameaça nuclear norte-coreana e as armas de destruição em massa", que pretende "reforçar a integração das capacidades" dos aliados para dissuadir a Coreia do Norte, segundo o comunicado assinado pelas duas autoridades.

Na prática, a nova estratégia significa que Coreia do Sul e EUA confirmam sua disposição de lançar ataques preventivos contra o Norte, caso este se disponha a usar suas armas nucleares, disse à agência local "Yonhap" um funcionário do alto escalão do Ministério da Defesa da Coreia do Sul.

O ministro sul-coreano também se comprometeu em acelerar o desenvolvimento do sistema local de defesa para rastrear e abater mísseis norte-coreanos conhecidos como KAMD.

Os dois países decidiram, além disso, prosseguir as consultas sobre o possível adiamento da transferência do comando operacional do Exército sul-coreano em tempos de guerra, atualmente nas mãos de Washington e que, segundo o acordo vigente, será assumido por Seul em 2015.

Hagel reafirmou o compromisso permanente dos EUA de proporcionar apoio militar específico à Coreia do Sul, até que o país tenha a "plena capacidade de autodefesa".

O programa nuclear da Coreia do Norte, que mostrou grandes avanços na última década, gerou mais preocupações na comunidade internacional neste ano, depois que o regime de Kim Jong-un fez uma intensa campanha de hostilidades contra Seul e Washington no primeiro semestre.

Os EUA mantêm 28,5 mil efetivos na Coreia do Sul, país do qual se comprometeu a defender em caso de guerra contra o Norte desde a Guerra da Coreia (1950-53).

O conflito foi interrompido com um cessar-fogo que nunca foi substituído por um tratado de paz definitivo, o que mantém os dois lados da península coreana tecnicamente em guerra até os dias de hoje.